Ferroeste quer parceira com empresa
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terça-feira, 02 de março de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Estrada de Ferro do Oeste S.A. (Ferroeste) quer contar com a empresa América Latina Logística (ALL) como ''parceira obrigatória'' para escoamento total da produção agrícola da região oeste do Estado, que movimenta 5 milhões de toneladas de grãos durante a safra. Desse total, apenas 1,2 milhão de toneladas estavam sendo escoadas através de ferrovias. Segundo o diretor administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes, isso ocorreu porque a Ferrovia do Paraná S.A. (Ferropar), que detém a subconcessão de 248 quilômetros de ferrovia entre Cascavel e Guarapuava, não cumpriu o contrato de concessão assinado há sete anos pelo governo do Estado.
''O frete do escoamento da safra pelas rodovias é pelo menos 25% mais caro, sem contar o valor do pedágio. A ferrovia é mais econômica e evita a formação de filas intermináveis no Porto de Paranaguá'', analisou ele. Outro problema, segundo ele, é o fato de o trecho de ferrovia construído entre Guarapuava e Ponta Grossa, sob a administração da ALL, estar em péssimas condições de tráfego. ''Ela foi construída sobre montanhas e reduz a velocidade dos trens de 60 quilômetros horários para 10 quilômetros'', ponderou Mario Stamm, que faz parte da comissão de usuários da ferrovia.
A alternativa seria a construção de uma nova ferrovia, ligando Guarapuava e Ipiranga. A obra custaria R$ 200 milhões. Para essa construção, o governo do Estado vai precisar do aval de uma empresa da iniciativa privada. Os recursos já estariam assegurados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). ''Apresentei o projeto e aprovaram. Precisamos agora dos parceiros. Que até pode ser a ALL'', considerou Samuel Gomes. Para garantir um bom escoamento da safra, seriam ainda necessários investimentos para a compra de 350 novos vagões e 20 locomotivas.
A Ferroeste pensa ainda na probabilidade de lançar um novo edital de licitação para o gerenciamento da ferrovia, com a obrigatoriedade de construção da nova obra. Em troca, durante o período em que estivesse pagando a construção, a empresa vencedora não pagaria os direitos de uso da ferrovia para o governo do Paraná. Depois do término do contrato, a obra seria integrada à malha viária do Estado. ''Uma das hipóteses seria fazer uma nova licitação. Faríamos antes esse trecho e depois até Guaíra e posteriormente até Foz do Iguaçu'', analisou Gomes.
A comissão que analisa a modernização da Ferroeste tem 60 dias para fechar os estudos e apresentar uma proposta definitiva a pedido do governador Roberto Requião (PMDB). Fazem parte da comissão representantes da própria Ferroeste, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e da Comissão dos Usuários da Ferroeste.


