Ferroeste abre licitação para novos vagões
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste) deve operar com 500 novos vagões até junho deste ano, segundo o presidente da estatal, Samuel Gomes. O investimento visa aumentar o volume de cargas na ferrovia e diminuir os preços ao produtor, além de garantir o transporte para o escoamento da produção agrícola. A instabilidade de oferta de vagões por ausência de uma frota própria maior é um gargalo logístico que impede, em parte, o produtor de planejar com segurança o transporte de grãos e cereais pela linha Cascavel-Guarapuava, sob o comando da operadora. Atualmente são 60 vagões próprios da companhia que transitam pela ferrovia, mas a operação total é de 833 vagãos oriundos de outras empresas.
Ontem em Curitiba a empresa abriu licitação, no regime de registro de menor preço, para a compra dos vagões. O limite máximo de valor fixado foi de R$ 220 mil. Três empresas nacionais disputam o direito em fornecer os vagões: Santa Fé, Randon e Maxiom. A indústria ganhadora da licitação venderá os vagões para os usuários interessados em transportar mercadorias pela malha da ferrovia.
Gomes explica que o cliente adquire o vagão com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e financia a compra a longo prazo. Durante este período, o cliente recebe descontos da Ferroeste na tarifa de transporte. Ao final do parcelamento, o vagão é repassado para a estatal. ''O Estado paga o vagão com serviço. A economia de frete, em relação ao caminhão, que seria o transporte disponível pela falta de trens, é o suficiente para o comprador pagar o financiamento'', afirmou.
O consórcio Gralha Azul formado pela AB AgroBrasil e Moinho Iguaçu já negocia 20 vagões mas pode aumentar para 50, com investimento inicial de R$ 5 milhões. As duas empresas manipulam cerca de 400 mil toneladas de produtos ao ano. ''A perspectiva é economizar entre 10% a 15% no valor médio do frete ao longo do ano. A aposta principal é a segurança no transporte, que hoje não temos, nem na ferrovia e nem nos caminhões, que estão cada vez mais se deslocando para a safra do Centro-Oeste'', avaliou Arney Antonio Frassan, sócio diretor da AB AgroBrasil.
O novo modelo prevê a oferta gratuita de áreas no terminal de Cascavel, no Oeste do Estado, que tem uma área total de 1.568.134 metros quadrados, para as empresas que queiram instalar seus terminais e se comprometam com grandes volumes de cargas. O maquinário atual traciona trens de 33 vagões e o planejamento é puxar 65 unidades. A velocidade média das locomotivas também é maior: de 45 km/h irá aumentar para 70 km/h.
De acordo com Gomes, as locomotivas mais modernas fazem parte do plano de expansão do novo corredor da Ferroeste, um conjunto de trechos que vão promover a integração de regiões produtoras de grãos no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. A previsão é de que o custo do transporte seja 30% menor do que o modal rodoviário.
Ele afirma que a construção do trecho Guarapuava-Paranaguá, de 365 quilômetros, é prioridade. A Ferroeste prevê que a capacidade de transporte passará de 3,6 milhões de toneladas para quase 9 milhões de toneladas com a expansão. ''Teremos uma maior autonomia para fechar contratos com a presença de mais vagões e trechos'', avaliou Gomes.


