Ferramenta da modernidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de julho de 1997
Antonio Lardello 
A modernização das empresas, dos setores público e privado, para responder com agilidade às exigências da nova ordem econômica mundial pode ser traduzida como a somatória dos conceitos de qualidade, produtividade, baixo custo operacional, alto nível de competitividade e acesso às tecnologias de ponta. Para cumprir esses requisitos, essenciais à sua sobrevivência na presente conjuntura, as organizações têm na terceirização uma de suas principais ferramentas, à medida que esse processo permite a concentração de esforços e recursos na atividade principal e a contratação de serviços especializados para tarefas acessórias.
Isso possibilita que as empresas reduzam custos, otimizem recursos, desenvolvam estratégias eficazes para atingir suas metas e treinem mais adequadamente seus profissionais para o cumprimento de suas metas e atividades-fim. Além disso, ao contratar serviços especializados, uma organização agrega tecnologia de última geração às suas atividades. A terceirização, portanto, confere mais agilidade à reorganização administrativa, abreviando o caminho para a conquista de um grau maior de eficiência e competitividade. Isso explica a sua crescente aceitação no âmbito do parque empresarial e do setor público brasileiros.
Há bons exemplos práticos sobre a eficiência dos processos de terceirização: o DER (Departamento de Estadas e Rodagem) e a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) estão terceirizando diversas atividades. Dentre elas, a arrecadação das tarifas de pedagio, que consiste na cobrança junto aos usuários e o recolhimento aos cofres públicos.
Para a consecução desses objetivos, as empresas operadoras respondem pelo cumprimento dos parâmetros mínimos de atendimento ao usuário e ao próprio contratante, responsabilizando-se ainda, pela segurança patrimonial, supervisão, limpeza e conservação, materiais de escritório, água, luz, telefonia, manutenção geral, transporte de valores e de pessoal. Como resultado, as contratantes obtiveram economia de 40% com pessoal e demais insumos e gastam não mais do que 7% da receita dos pedágios para pagamento das contratadas.
Outro exemplo de terceirização bem sucedida no setor público é pertinente à São Paulo Transportes, concessionária desses serviços no município de São Paulo. Foi terceirizada a operação total das linhas de ônibus. As empresas prestadoras de serviços contratadas são remuneradas levando-se em conta o custo direto da operação, acrescido da taxa de administração, em função da quantidade de passageiros transportados. A gestão dos serviços continua sendo uma responsabilidade da São Paulo Transportes, cabendo às prestadoras de serviço à administração de pessoal, disponibilização e manutenção da frota.
O setor privado também oferece bons exemplos. É o caso da Sabó - empresa do ramo de juntas e mangueiras retentoras, no setor de autopeças - que terceirizou a logística de distribuição de produtos acabados e de movimentação interna de matérias-primas. Com o processo, a empresa reduziu seus gastos com a folha de pagamentos, encargos sociais e equipamentos e obteve expressivo ganho de produtividade.
Analisando-se a questão num horizonte mais amplo, pode-se concluir que a terceirização pode contribuir desicivamente para a inserção do Brasil, com vantagens competitivas, no contexto da globalização. Para isso, o país precisa de seu parque empresarial e seu setor público sejam modernos e altamente eficientes. Nesse sentido é fundamental a conclusão das reformas constitucionais e também a adoção de posturas capazes de alinhar o Brasil ao que se pratica na economia do primeiro mundo. Neste final de século, não há alternativas: ou o país adota com agilidade posturas modernizantes ou ficará na contramão da história.
- ANTÔNIO LARDELLO é gerente de Contratos da TB Serviços


