BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso mandou ontem, às vésperas da nova rodada de negocições para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), um recado aos Estados Unidos. ‘‘A integração hemisférica depende muito mais da capacidade que têm os países do Norte de abrir os mercados, efetivamente naqueles setores que mais precisamos, do que da nossa disposição do Sul de integração’’, disse Fernando Henrique.
O presidente afirmou que a integração no mundo contemporâneo não se dá ‘‘por adesão, mas por negociação’’. E acrescentou que a negociação tem de se dar ‘‘ponto a ponto’’, com cada país levantando seus interesses. O 3º Encontro das Américas, que discutirá o projeto de criação da Alca, terá início hoje em Belo Horizonte e contará com a participação de empresários e ministros de comércio de 34 países americanos.
O governo brasileiro defende o fim das barreiras tarifárias implícitas e das barreiras fitossanitárias ou de limitação de cotas, impostas pelo governo norte-americano aos produtos agrícolas brasileiros. Estas tarifas impedem que os produtos brasileiros e latino-americanos disputem, com igualdade, a preferência dos consumidores norte-americanos.
Segundo cálculos do governo, as restrições abrangem 26% dos produtos brasileiros exportados para os EUA. Fernando Henrique defendeu, durante cerimônia no Planalto, que as negociações busquem fórmulas ‘‘que levem ao proveito mútuo’’. Segundo o presidente, ‘‘não há boa negociação sem que os vários lados envolvidos ganhem.’’
Fernando Henrique disse acreditar que os dirigentes dos países americanos terão capacidade política para defender, nas negociações para a criação da Alca, os interesses dos outros mercados já em funcionamento, como é caso do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
‘‘Teremos a capacidade política de, ao mesmo tempo, defender, com tranquilidade, um caminho que interesse ao desenvolvimento industrial do Brasil, à integração do Mercosul, ao Pacto Andino, ao Nafta’’, afirmou.

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