O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem que o governo ‘‘revisarᒒ o Cadin (Cadastro de Inadimplência) e criará um ‘‘fundo de aval’’ para as pequenas e médias empresas. Ele disse que o Cadin, implantado para colocar a economia ‘‘em ordem’’, está ‘‘demasiado minucioso’’ e impede um empresário de tomar empréstimo do governo se estiver ‘‘devendo a luz’’.
‘‘Isso atormenta o pequeno e médio empresário. Já conversei com o ministro da Fazenda (Pedro Malan) e determinei que ele fizesse uma revisão do Cadin para que não sufocássemos a pequena e média empresa’’, declarou FHC. Referindo-se ao fundo de aval, ele afirmou que os bancos não emprestam para os pequenos e médios empresários ‘‘porque têm medo de que não paguem. É um pouco de preconceito dos bancos’’.
Com o fundo de aval, a ser criado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), conforme o presidente, se a empresa não tiver condições de pagar, haverá o recurso do fundo, que dará ‘‘mais
confiança a quem vai emprestar’’.
FHC, que deu entrevista pelo telefone à rádio Gaúcha de Porto Alegre, disse que a taxa de juros ao consumidor que compra a prazo ‘‘é escandalosa’’. Segundo ele, ‘‘isso não tem a ver com juros fixados pelo Banco Central, que estão baixando, e sim ‘‘com a ganância de quem está vendendo, dos intermediários financeiros’’.
O presidente disse que não acredita em ataque especulativo contra o Brasil. ‘‘Nós temos uma montanha de dinheiro no Banco Central, mais de US$ 70 bilhões (US$ 71,95 bilhões em maio). Eu não gosto dessa frase ‘bateu, levou’. Acho que ninguém vai bater aqui no Brasil. Mas, se vier, vamos ter uma política à altura. A situação do Brasil não tem nada a ver com a da Ásia, com a da Rússia. É uma economia organizada’’. Telebrás
Ele afirmou que a ‘‘melhor aplicação’’ do dinheiro a ser arrecadado com a venda do Sistema Telebrás é no abate de dívida. ‘‘O que está segurando nosso crescimento? Os juros altos. Por que temos juros altos? Porque o governo tem de tomar dinheiro emprestado, tem dívida. Para beneficiar todo país, a melhor coisa é abater dívida. Se abater US$ 10 bilhões, deixa de pagar US$ 2 bilhões (referente ao juro). O que tiver de lucro, aplica no social’’.
FHC disse que, no momento, ‘‘é muito difícil separar o candidato do presidente’’. Declarou que irá ao Rio Grande do Sul autorizar a duplicação da BR-101, na próxima sexta-feira, ‘‘como presidente’’. Ele lembrou que se comprometeu com a obra durante a campanha de 1994. No mesmo dia, visitará a obra da unidade da GM (General Motors) em Gravataí (região metropolitana de Porto Alegre).

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