Agência Estado
De São Paulo
A maior procura por dólares por turistas e a prática de algumas empresas e pessoas físicas de ‘‘limpar’’ a conta corrente no final do ano, se preparando para a declaração do Imposto de Renda, tendem a ampliar a distância da cotação no mercado paralelo com a praticada no comercial.
A comparação entre as taxas praticadas em 1º de setembro e a última sexta-feira demonstra o ‘‘descolamento’’ das cotações nos dois segmentos. Em setembro, o dólar comercial fechou o dia sendo comercializado a R$
1,935, e o paralelo, a R$ 1,99, com um ágio de 2,84%. Na última sexta-feira, dia 10 de dezembro, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 1,86 no comercial, enquanto no paralelo a cotação era a mesma, ou seja, R$ 1,99. O ágio saltou para 6,8%.
É tradicional a elevação do ágio do paralelo em todo final de ano. Em 1998, dezembro fechou com um ágio quase igual ao atual entre as duas cotações – 6,79%. No mês anterior, estava abaixo de 4%. De qualquer forma, o dólar paralelo (‘‘black’’) perdeu muito da importância que teve no passado. A abertura da economia, a liberalização gradual do mercado de câmbio a partir de 1991 e o dólar-turismo fizeram com que o paralelo passasse a atender mais às atividades ilícitas, como o contrabando e o narcotráfico. No passado, era comum o turista ir ao ‘‘black’’ comprar dólares para viagens ao exterior. Hoje, isso pode ser feito em qualquer agência bancária.
Nos últimos dias, o dólar turismo não recuou na mesma proporção do comercial, mas não ‘‘descolou’’ tanto quanto o paralelo. Na comparação entre setembro e a última sexta-feira, o ágio do turismo foi de 1,99% para 3,06%, e o do ‘‘black’’, de 2,84% para 6,8%.

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