Fera na jaula? (Joelmir Beting)
Joelmir Beting
A única força do mundo capaz de impedir a Microsoft de ficar dona da Internet é o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Steven Jobs, fundador da Apple.
Fera na jaula?Obrigar por lei o Windows (da Microsoft) a dar carona ao Navigator (da Netscape) no lugar do Explorer (da Microsoft) é exatamente o mesmo que, também por lei, obrigar a Ford a montar automóveis com motores Chrysler. Comparação utilizada pelo presidente da Microsoft, William Henry Gates III, questionando a decisão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de instaurar processo contra a empresa por prática de monopólio.
Na interpretação do Departamento de Justiça, que se faz acompanhar por tribunais de 20 Estados americanos, a Microsoft faz uso do empurrômetro tecnológico para monopolizar os sistemas operacionais de 92% dos PCs existentes hoje no mundo. Embutindo o programa de navegação Explorer no Windows 95 (e agora em junho no Windows 98), a Microsoft alija do mercado o Navigator pioneiro da Netscape. Certo?
O homem de US$ 42 bilhões de fortuna pessoal (a Microsoft vale, em bolsa, US$ 214 bilhões) sustenta que o processo de monopolização resulta não de práticas desleais (tipo operação casada), mas de avanços estrepitosos da tecnologia do ramo. A questão é mais tecnológica do que mercadológica. Ou seja: não é assunto para magistrados.
Bill Gates lembra que o consumidor compra carros completos, com todos os chamados opcionais obrigatórios. O automóvel tem ar-condicionado, rádio-cassete-CD, computador de bordo e, em alguns modelos, telefonia celular. O telefone já vem com secretária-eletrônica e com fax. E já está no mercado o televisor com funções de computador.
Essa arquitetura tecnológica, segundo Gates, reduz custos e preços e facilita a vida dos consumidores. E os consumidores deveriam falar mais alto, nessa matéria, do que os tribunais americanos ou os concorrentes da Microsoft. Com o aviso aos navegantes: o Windows 98, na boca do forno, vem apinhado de inovações nem sequer esperadas pelos consumidores. Entre outras, integração total com a Web, maior segurança na operação, maior velocidade no trabalho, maior plataforma para videogames e maior interação com a TV. Ah! E com o Explorer a bordo.
E mais: Bill Gates continua abrindo os cotovelos na Idade da Informação. Tornou-se sócio da Teledesic, que vai lançar 288 satélites de comunicação. Investe pesado na televisão a cabo e acerta com a NBC um canal de notícias do porte da CNN. Comprou a WebTV para liderar a Internet também em televisores. Associou-se a Steven Spielberg na Dream Works e fecha parceria com a Navitel para desenvolver um telefone inteligente com tela digital. Que tal? Mercado
- Em artigo para os principais jornais do mundo, Bill Gates pontifica: Alguns dos nossos concorrentes acham que não se deva conceder vantagens de inovação aos consumidores. Eles não querem concorrer no mercado. Preferem concorrer no tribunal.
Ídolos
- No livro Estrada do Futuro, Gates toma como ídolos Leonardo da Vinci, Adam Smith, George Orwell e Henry Ford. E revela que tem como fã número 1 um tal de Warren Buffett. E o número 2? Ele entrega: o amigo Al Gore, vice de Clinton.
Folclore
- Deus chamou Gates para um papo e avisou que o Juízo Final será mesmo em agosto de 2001. Gates abriu um e-mail para os 26.514 companheiros da Microsoft: Trago-lhes duas notícias: uma boa e outra ótima. A boa: estive com Deus em carne e osso e Ele existe mesmo. A ótima: o mundo vai acabar no ano 2000 e não mais precisamos desenvolver o Windows 2001.





