O governo federal decidiu dar prioridade à privatização das Ferrovias Paulistas S/A (Fepasa) e deseja vendê-la até junho deste ano. O Conselho Nacional de Desestatização (CND) incluiu ontem a empresa no Programa Nacional de Desestatização (PND), ao lado da Central de Abastecimento de São Paulo (Ceagesp). ‘‘Do nosso ponto de vista, a Fepasa tem uma importância especialíssima’’, disse o ministro do Planejamento Antonio Kandir. ‘‘Na batalha de redução do custo Brasil, uma das tarefas mais importantes é realizar a privatização da empresa’’.
A Ceagesp e a Fepasa foram incorporadas ao patrimônio da União no acordo de renegociação da dívida do Estado de São Paulo firmado com o Ministério da Fazenda, em 31 de dezembro passado. Na próxima semana já haverá a primeira reunião de trabalho com técnicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsáveis pelo gerenciamento da privatização destas empresas. Ainda não há definição sobre a data de publicação dos editais. A meta do CND é vender a Ceagesp no quarto trimestre do ano.
Segundo o ministro Kandir, a venda da Fepasa é fundamental para integrar as malhas já privatizadas da Rede Ferroviária Federal. ‘‘No mapa das malhas ferroviárias, a Fepasa está em um ponto estratégico’’, lembrou o ministro. ‘‘A possibilidade de ganho de eficiência no conjunto das malhas ferroviárias depende da realização de investimentos na Fepasa’’. Kandir lembrou que a privatização da empresa tornará viável mais investimentos no conjunto das outras malhas ferroviárias. ‘‘Todo potencial de redução de custos e ganho de qualidade das outras malhas só vai ocorrer com a privatização da Fepasa’’, afirmou o ministro.
Para o governo federal, a Fepasa é fundamental para viabilizar o projeto da Ponte Rodoferroviária sobre o Rio Paraná, que liga São Paulo ao Mato Grosso do Sul. Um dos projetos do Programa Brasil em Ação, a inauguração da parte ferroviária deverá ocorrer em fevereiro. Kandir lembrou que, em função dessa inauguração, a Ferronorte já iniciou a construção de 100 quilômetros de trilhos no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. ‘‘Toda a safra que será colhida em abril já poderá trafegar por este trecho, passar pela ponte Rodoferroviária em direção a vários portos’’, afirmou o ministro.

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