São Paulo – O 20º Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas (Fenatran) começou ontem, em São Paulo, em clima de otimismo, apesar da crise ter afastado as principais montadoras de caminhões do evento. Nesta edição somente a Volvo e a DAF Caminhões marcam presença. O otimismo foi pautado pelo anúncio do governo federal da reabertura do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) pelo BNDES.
O programa havia sido suspenso antes do prazo, mas após pressão da indústria e das entidades foi retomado e deve ser mantido até o fim do ano. A decisão foi comemorada pela Associação Nacional dos Veículos de Automotores (Anfavea). Durante a solenidade de abertura da Fenatran 2015, o presidente da entidade Luiz Moan, comentou que a suspensão do PSI pegou o setor de surpresa e provocou apreensão em relação aos volume de negócios realizados durante a feira. Mas enfatizou o esforço do setor para reverter a decisão e acredita que com a manutenção da linha de financiamento os negócios na Fenatran sejam alavancados.
Para o diretor comercial da Volvo, Bernardo Fedalto Júnior, a suspensão do PSI foi uma falha. "O governo reconheceu a falha e deve publicá-lo com validade até dezembro. Isso dá uma certa estabilidade para continuarmos tocando a produção e os compromissos assumidos com os fornecedores de forma que possamos fechar o ano", avaliou Fedalto Júnior.
Segundo ele, a publicação do PSI vem ajudar o mercado, embora a taxa do programa e da Taxa de Juro a Longo Prazo (TJLP) sejam relativamente pequena, o PSI trabalha com juros fixos. "Isso é importante para quem está fazendo uma aquisição. É a última oportunidade de comprar com juro fixo", afirmou o diretor da Volvo. Ele acredita que em 2016 o governo vai trabalhar com a TJLP e com o Finame e não deva renovar o PSI.
Na feira, a Volvo anunciou novos produtos focados em tecnologia, como um aplicativo para celular que permite um melhor gerenciamento da frota. Mas nem tudo é boa notícia. A montadora está com reajuste de preços. Os produtos terão aumento de 8% e a partir de abril de 2016, a marca fará reajustes trimestrais. "Todo mundo tem uma necessidade de aumento de preço em função de custo. Essa é uma questão de necessidade e não apenas uma decisão de mercado. Ninguém gosta de aumento de preço, mas precisamos ajustar ao novo patamar do Brasil", disse o diretor comercial.
De acordo com ele, a montadora com fábrica em Curitiba vai seguir a tendência de mercado e ter queda na performance. "O mercado caiu 50% e caímos igual". O aumento de custo foi de 15%, mas segundo Fedalto Júnior, o repasse foi de apenas de 8%. "Acreditamos que o mercado caiu o que já tinha que cair. O Brasil chegou na base de caminhões. Há cinco meses está estabilizado nesta queda. Acreditamos que ele ficará neste nível mais alguns meses, na metade do ano que vem começa a recuperar um pouco e as coisas começam a melhorar junto com a economia", avalia.
A DAF Caminhões por sua vez não está preocupada com a crise, mas segundo o presidente da montadora, Michael Kuester, a indústria precisa conquistar a sua fatia do mercado e aposta em novos produtos. A montadora, instalada em Ponta Grossa, espera conquistar um incremento de 5% do mercado em 2016. Este ano, a DAF deve vender 450 unidades no País e para o ano que vem a perspectiva é de chegar a mil caminhões comercializados. "O segmento de pesados varia de outros segmentos, vamos começar lento, mas no segundo semestre devemos recuperar".
A DAF anunciou investimento de R$ 60 milhões na planta de Ponta Grossa para nacionalização dos motores. A montadora conta com 250 funcionários na planta paranaense e deve manter o ritmo de investimento em 2016.

* A jornalista viajou a convite da organização do evento
mockup