A Federação Nacional dos Contabilistas (Fenacon) e o Sebrae formalizaram uma parceria para treinar contabilistas de todo o Brasil. O objetivo é criar uma força-tarefa para desmistificar a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas que está em vigor desde o início do ano. ''Nós estamos percebendo é que se está falando muita coisa errada sobre o Supersimples. As pessoas não estão entendendo a lei e isso pode prejudicar a sua implantação'', explicou na quinta-feira em Londrina, o vice-presidente da Fenacon, Valdir Pietrobon.
Vão ser treinados mil contabilistas de todo o Brasil. Serão 291 na região Sul, 91 no Paraná. O primeiro treinamento acontecerá em Florianópolis na primeira quinzena de maio - os dias ainda não foram definidos.
Segundo Pietrobon, depois de treinados, os mil contabilistas serão encaminhados para dar palestras em regiões pólo. No norte do Paraná eles atuarão em Londrina, Cornélio Procópio e Santo Antonio da Platina. A meta é atingir com as palestras pelo menos 35 mil contabilistas de todo o país.
''Nós focamos os contabilistas porque são eles que estão em contato direto com os empresários. Além disso, são os contabilistas que, no final das contas, irão orientar as empresas sobre se é mais interessante elas aderirem ao Supersimples ou permanecerem no atual regime'', explica Pietrobon.
Em Londrina o Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr) fará a indicação dos contadores que irão participar do curso. O presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro, disse que o grupo será formado preferencialmente pelos profissionais que já participaram de um outro curso realizado em parceria com o Sebrae, o Contabilizando o Sucesso.
Valdir Pietrobon concorda que ainda há muitas críticas à lei e que ela não é a ideal, porém diz que houve avanços inegáveis e que a tendência é que ela seja melhorada ainda mais. Segundo ele, o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que foi relator do projeto da Lei Geral, se comprometeu a apresentar um novo projeto este ano para melhorar a lei atual.
''A Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas ainda não é a ideal, mas é o primeiro passo para iniciar uma mudança no sistema tributário do país. Nós trabalhamos nela dois anos seguidos. Foram inúmeras reuniões com representantes do governo, da Receita, do INSS, com parlamentares do bloco do governo, com a oposição'', afirma. ''Quando iniciamos a negociação, a previsão é que o governo renunciasse R$ 16 bilhões em receita. O governo não aceitou. Depois de muita negociação, a renúncia ficou em R$ 5,2 bilhões. Não é o ideal, mas houve um avanço. Não é ótima, mas é boa'', completa Pietrobon.
Ele lembra que o Supersimples permite que empresas pequenas façam consórcios para exportação; que o governo dará prioridade a elas nas concorrências públicas e uma série de outros benefícios que, conforme ele, não podem ser ignorados.
''Hoje 40 mil empresas no Brasil são responsáveis por 80% da arrecadação federal. Porém elas não geram empregos na mesma proporção. Nós queremos, neste primeiro momento, trazer pelo menos 1 milhão de empresas para a formalidade. Isto é inclusão social. É geração de empregos com carteira assinada. Se tudo correr bem poderemos ter cinco milhões de empresas ingressando na formalidade. Isso será muito importante para o Brasil'', afirma Pietrobon.

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

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