Fenabrave pede prorrogação do abatimento no IPI
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sexta-feira, 27 de julho de 2012
Fábio Galiotto <br>Reportagem Local 
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti, foi ontem a Brasília (DF) para pedir ao governo federal a prorrogação do abatimento no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A reunião, com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, ocorreu em meio às ameaças da General Motors (GM) de fechar uma unidade, em São José dos Campos (SP). A presidente Dilma Rousseff respondeu com a possibilidade de vetar a redução no tributo caso o número de postos de trabalho caia.
A medida da União permitiu que a venda de automotivos voltasse a crescer no ano, com aumento de 1,5% até junho, após ficar em queda até maio, segundo Meneghetti. A expectativa da Fenabrave é que a desoneração do IPI, que acaba no dia 31 de agosto, seja prorrogada ao menos até o fim do ano. Assim, a estimativa de fechar 2012 em baixa, passaria a girar entre 3% e 4% no azul. ''O bom-senso deve prevalecer e estou otimista sobre a negociação.''
Dilma disse, antes de encontro com atletas brasileiros que estão em Londres para participar das Olimpíadas, que espera contrapartida dos empresários pela redução no IPI. ''Não (queremos retorno) para nós, mas para o País inteiro, que é a manutenção do emprego. Damos incentivo para garantir emprego'', disse a presidente, que lembrou que o governo planeja mais desonerações, sem apontar quais.
Entenda o caso
A GM estuda fechar uma unidade no Grande ABC, após encerrar a fabricação de três dos quatro modelos produzidos no local. Foram realocados 170 funcionários e criado um Plano de Demissão Voluntária (PDV), que teria contado com 356 adesões. Segundo Sindicato dos Metalúrgicos de São Joé dos Campos, a estimativa é de que 1,5 mil trabalhadores fiquem desempregados.
À Agência Brasil, a empresa informou que segue a orientação de manter os postos de trabalho, como ocorre em São Caetano (SP), Gravataí (RS) e na futura fábrica em Joinville (SC). Ainda, lembrou ter contratado cerca de 2 mil pessoas em 2011.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por meio de assessoria, não quis comentar a questão. Apenas informou que o número de vagas criadas no setor desde o início de 2012 é de 1,9 mil. O número é de 400 pessoas a mais do que a estimativa de demissões do sindicato dos metalúrgicos. Mesmo assim, segundo a Anfavea, os 146,9 mil trabalhadores do balanço líquido do setor é o maior desde 1986, quando eram 158 mil funcionários.
A montadora foi chamada a dar explicações no Ministério da Fazenda e a expectativa é de que isso ocorra na próxima terça-feira, apesar de ambos não confirmarem o encontro. O presidente da Fenabrave minimizou as chances de desentendimento. ''áAs demissões são uma questão de mercado, não por falta de vendas. Estamos em um momento em que todos trabalham'', afirmou.
Meneghetti fez questão de dizer que a decisão não passa pela Fenabrave. Ele reiterou que a discussão é pontual e que não poderia envolver todo o mercado. ''Se houver queda (nas vendas), teremos superestocagem, e pode gerar desemprego.''
Motocicletas
A reunião de ontem também serviu para a Fenabrave pedir ao governo por mais apoio ao mercado de motocicletas. Um dos efeitos da crise foi a redução do crédito em bancos, o que fez com que as vendas caíssem. ''Pedimos que o governo libere uma linha de compulsório para que mais pessoas possam encaixar as prestações na renda familiar'', contou.
O compulsório, que é dinheiro dos bancos que fica retido no Banco Central, aumentaria os recursos para financiamentos. Meneghetti acredita que R$ 1,8 bilhão seria uma valor apropriado. Ele completou que a União tem tomado decisões para atender a indústria brasileira. (Com agências)


