Carmem Murara
De Curitiba
Os representantes da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuidoras de Veículos) e do Sindicato das Concessionárias e Distribuidoras de Veículos no Paraná defenderam ontem, em Curitiba, a prorrogação do acordo emergencial do setor automotivo até o final deste ano e não apenas por um mês. A proposta preliminar do governo para estender o pacto automotivo é de que ele termine em 30 dias.
Os empresários do setor alegam que estender o acordo do setor que barateou o preço dos veículos novos por apenas 30 dias pouco vai adiantar como estímulo para as vendas de carros zero quilômetro no País. ‘‘Estamos no limite e não suportamos mais esta política de soluços do governo federal. Queremos medidas mais duradouras’’, afirmou, ontem, o presidente regional da Fenabrave, Daniel Russi Filho.
A solução para retomar as vendas é a renovação da frota, que poderá entrar em vigor a partir de setembro, caso montadoras, revendedoras e governo fechem um outro acordo específico para isso, disse Russi. A renovação permitirá que os consumidores recebam um bônus num valor próximo a R$ 2,5 mil que será usado para a troca do carro velho pelo novo.
O setor automobilístico estima que a implementação da medida poderá resultar na venda de 400 mil carros no mercado interno no período de um ano. No ano passado foram vendidos 1,4 milhão de carros em todo o Brasil.
A Fenabrave pressiona para que a renovação seja só para carros zero quilômetro e não para os seminovos, como estão propondo as montadoras. Quer, ainda, que o bônus seja um crédito repassado diretamente à revenda. ‘‘Se derem o bônus na mão das pessoas, isso vai virar um câmbio negro no mercado’’, alertou o presidente do sindicato Dalton Ríspoli.
Enquanto a renovação da frota não se confirma, representantes do setor dizem que o mercado agoniza em meio à redução das margens de lucro, progressiva nos últimos anos. Uma pesquisa da empresa de consultoria Austin feita em duas mil do total das cinco mil concessionárias no Brasil apontou que houve uma redução de 2% do patrimônio líquido, no ano passado.
A previsão para este ano é redução de 10%. ‘‘Isso significa prejuízo para as distribuidoras’’, afirmou Daniel Russi Filho. Ele disse que a margem de lucro líquida era de 9% e hoje é negativa.
O resultado negativo para o setor automotivo está ligado à recessão nacional e à perda do poder de compra dos consumidores. Em 1995, o brasileiro comprometia 1,5 salário anual para comprar um carro zero quilômetro. A média apurada no ano passado apontou que é necessário 2,58 vezes o salário anual para comprar o mesmo carro.

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