Fenabrave ataca renovação de frota
Samuka Lopes
De Londrina
O presidente da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), Hugo Maia, afirmou ontem que as propostas de renovação da frota são no mínimo um desrespeito ao consumidor. O que existe é fumaça para conseguir alguns benefícios. Esses acordos nunca dão certo, disse. O tema foi um dos assuntos da reunião da Fenabrave, realizada na noite de ontem, no Hotel Crystal, em Londrina, com patrocínio do Banco HSBC.
Na sua opinião, os projetos de renovação da frota estão defasados. Este é um programa conceitual, diz. Ele afirma que os metalúrgicos promovem um Seminário da Renovação da Frota, no próximo dia 13 de março, em São Paulo, para buscar alternativas para a questão. Pelo menos outros dois projetos neste sentido estão em estudo, pela Fenabrave e pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
As reuniões em que foram discutidos os projetos de renovação da frota não chegaram a nenhum resultado positivo até agora, emenda. Na verdade, o preço do carro subiu demais no ano passado. O automóvel está caro em dólar. Enquanto o salário subiu, no máximo, entre 6% e 8%, no ano passado a renda per capita caiu 0,83% , as autopeças tiveram reajustes de 8%. Os automóveis estão 30% mais caros, isso descontado o imposto que havia aumentado antes. Os aumentos estão fora da realidade econômica dos consumidores,.
Na opinião do representante das revendas, a proposta de renovação da frota tem só tem um caminho: o consórcio. É o único programa que não tem juros. E o cliente matura a compra em 30 meses, com a entrega ocorrendo em 60 meses. O risco de perda no investimento é menor. Só que a prestação não pode ultrapassar R$ 200, defende.
A rede de concessionárias de automóveis no Paraná está encolhendo, disse Daniel Russi Filho, diretor da Regional Paraná e presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Paraná. No ano passado, 10% das empresas do setor encerraram atividades. Um número significativo: 41 lojas. Em janeiro de 99, 453 concessionários estavam operando. Segundo nosso último levantamento, restaram 412 em janeiro de 2000, disse. Estamos preocupados em manter nossa margem no negócio. Nós não fazemos o preço. Eles estão 30% acima da capacidade de compra dos nossos clientes. A montadora é a responsável por isso. Mas o governo precisa participar. O índice de impostos em nosso País é o mais alto em todo mundo. No valor total do carro, 34% por cento, em média, é representado pela carga tributária, observou Daniel Russi Filho.
Ele diz que o quadro preocupa, especialmente diante do mercado encolhido dos últimos anos. Em 97, o mercado paranaense absorveu, na média, 8 mil carros por mês. Nos últimos três anos esse número tem ficado na casa das 5 mil mil unidades/mês. O mercado nacional em 97 comprou aproximadamente 2 milhões de veículos. Em 99 foram apenas 1.200 milhão unidades. Esse é praticamente o mesmo número registrado há dez anos, em 1989. E o pior, a previsão é de que este ano deve fechar também com 1.200 mil unidades.
Para reverter o quadro e criar a retomada das vendas, é preciso baixar o preço, em torno de 30% e reduzir a carga tributária, pede Daniel Mussi Filho. Ele diz que os encontros regionais da Fenabrave servem para informar os associados e prepará-los para enfrentar os problemas do momento. Na reunião de ontem o tema principal foi Motivação e vendas, com palestra de Rogério Caldas. Cento e vinte executivos participaram.





