A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) apresentou ontem aos bancários uma contraproposta de 4% de reajuste salarial, abono único de R$ 750 e participação de 80% dos salários sobre os lucros e resultados dos bancos, mais R$ 468 fixos, podendo atingir o limite máximo de dois salários. Esse foi o primeiro porcentual definido pelos bancos, desde o início das atuais negociações salariais da categoria, que já somam quatro rodadas.
''Isso é uma baixaria e esculhambação. Estamos pedindo 20,46% de reajuste de salários e eles nos oferecem 4%'', reagiu o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, João Vaccari Neto. ''A Fenaban alega que não pode dar mais por causa da crise mundial e da situação nos Estados Unidos. Eles estão querendo reconstruir as torres de Nova York em cima das nossas costelas'', protestou Vaccari, ao final da reunião.
Nos 20,46% de reajuste salarial pleiteados pelos bancários estão embutidos 3% de reposições inflacionárias, referentes ao período de setembro de 2000 a agosto de 2001, mais 4,1% de produtividade e 6,85% de resíduos de inflação (de setembro de 94 a agosto de 2000).
Para o coordenador de negociações trabalhistas da Fenaban, Magnus Apostólico, os 4% de reposição de salários apresentados são ''muito bons''. ''Nenhuma outra categoria econômica poderia oferecer algo nesse patamar diante do contexto que estamos vivendo, com a economia deprimida desta maneira'', argumentou. Apostólico ressaltou ainda que não há nenhum possibilidade de mexer neste porcentual.
A contraposta da Fenaban será levada a assembléia dos bancários, mas as chances de aprovação pelos trabalhadores são praticamente nulas, segundo Vaccari. Apesar das dificuldades de selar um acordo, o líder sindical ainda não cogita a realização de uma greve nacional da categoria.

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