Mais da metade dos bovinos abatidos atualmente em frigoríficos paranaenses voltados ao mercado interno são fêmeas. A estimativa é da família Fiapes, que trabalha com pecuária em Jacarezinho e também atua no intermédio entre produtores e frigoríficos da região.
Lourival Fiapes vem observando a tendência há dois anos e diz que hoje ela está mais visível. Segundo o intermediário, a cada 8 mil cabeças abatidas por mês no Estado, pelo menos 4,8 mil seriam de vacas. ''É um fato meio anômalo. Estão sendo descartadas vacas muito boas'', observa. Ele lembra que, recentemente, um único produtor vendeu 150 vacas para abate, todas prenhas.
Segundo Fiapes, a compra de vacas para corte está compensando por causa dos preços. Ele afirma que a arroba da vaca está custando até R$ 52,00, enquanto a do boi não sai por menos de R$ 58,00. Nos supermercados, diz ele, os consumidores não fazem distinção entre a carne do macho ou da fêmea.
''É aquela história, 'morreu vira boi'. Em geral, o consumidor não conhece carne'', avalia. Fiapes conta ainda que está se tornando comum a venda de vacas magras para produção de charque, e que nesses casos o produtor está aceitando ''o quanto puderem pagar''.
Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, confirma que os frigoríficos de mercado interno estão preferindo comprar vacas a bois. ''A desproporção entre o preço da vaca para o boi está compensando a diferença na qualidade da carne. Isso não ocorre nos grandes frigoríficos porque o mercado externo é mais exigente''. (V.N.)

mockup