Femade é vitrine para o mercado externo
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terça-feira, 10 de setembro de 2002
Mônica Kaseker<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Fabricantes de máquinas e equipamentos para industrialização de madeira querem aumentar as exportações, que atualmente correspondem a apenas 10% da produção nacional. A indústria já tem qualidade e preços competitivos, mas ainda falta tradição no mercado e incentivos governamentais a longo prazo, segundo lideranças do setor. Para melhorar os contatos no mercado externo, compradores de pelo menos 10 países foram convidados para uma rodada de negócios que começa hoje na Feira Internacional de Máquinas, Equipamentos e Produtos para a Extração e Industrialização da Madeira e do Móvel (Femade), no Expotrade, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Sérgio Magalhães, diz que poucos países produzem esse tipo de maquinário e todos compram. No entanto, os países com maior tradição no setor, como Itália e Alemanha, chegam a exportar 60% da produção. No Brasil, o segmento fatura por ano US$ 200 milhões, operando com uma capacidade ociosa de 20%. ''Podemos aumentar as vendas para o exterior e reduzir custos'', diz. O setor de indústria de máquinas em geral exporta US$ 3 bilhões por ano.
A situação cambial é considerada ideal pelos empresários para aumentar as exportações. No entanto, eles reclamam da carga tributária, em torno de 20%, e dos juros altos. Apesar da ação da Agência de Promoção de Exportações (Apex), que contribuiu para trazer os compradores para a Femade, Magalhães considera que o governo ainda mais atrapalha do que ajuda, por causa dos entraves burocráticos para exportar.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Industrialização da Madeira, Marcelo Luparia, a maior parte das indústrias do setor estão no Paraná. Das 73 indústrias brasileiras no segmento, 27 são do Paraná e 18 na RMC. As indústrias instaladas no Estado correspondem a 50% do faturamento do setor. Para melhorar a tradição do Brasil como fornecedor desse tipo de maquinário, Luparia acredita que é preciso reduzir o número de feiras no País, concentrando atenções na Femade, do Paraná, e na feira anual realizada no Rio Grande do Sul.
Além disso, é preciso intensificar a participação dos empresários em feiras internacionais. Linhas de crédito, liberação de financiamentos externos e seguro exportação seriam outras medidas positivas para aumentar as exportações, segundo ele.


