Com exceção da estréia do euro, já vivemos ‘‘um bom princípio de ano novo’’, apenas normal. O primeiro dia de atividade econômica do novo ano não altera muito o ritmo brasileiro. No mercado acionário, bolsas manterão a performance da samana passada já que não há fato econômico, ou político, suficientemente importante para impactar nesse mercado, no momento. A crise argentina, de tão exacerbada, já fez criar atídotos. Não se subestima, porém, o risco da ‘‘contaminação’’.
No mercado de commodities agrícolas a tendência, pelo menos nesta semana, é de calmaria total. Única exceção poderia ser a soja, sujeita à variáveis externas. Mas, com a safra norte-americana já delineada, não há nenhum fator que justifique alterações bruscas.
O euro: a partir da zero hora de 2002, uma nova moeda une povos de lingua, cultura, histórias e padrões econômicos diferentes - embora habitantes de um mesmo continente. Doze países (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Finlândia, Grécia, Holanda, Itália, Irlanda, Luxemburgo, Portugual), separados geograficamente, terão sua política monetária regida por um conselho de governadores e vinculada ao Banco Central Europeu, com sede em Franckfurt.
Grandes negócios também vêm sendo lastreados pelo euro referencial. Tanto que não se questiona sobre negociações com a UE tendo o euro como moeda. Para negociadores brasileiros esta conversão não tem implicação e a grande moeda internacional todos sabem que é o dólar.
Na escala internacional o que permeia a mudança tem forte conotação política: é a vontade das autoridades monetárias da UE em criar uma moeda para fazer frente à hegemonia do dólar. Neste aspecto o euro tem que renascer pois nos últimos anos em que debutou mostrou-se impotente para essa missão.
Se o euro determina o fim de muitas moedas que emergiram dos escombros das grandes guerras, inauguruando um período de estabilidade (e, portanto, é de saudosa memória para alguns povos), parece verdadeiro também que a nova moeda surge num momento em que todas as economias, em todos os blocos, clamam por algo novo.
Que a nova moeda, portanto, seja um divisor, um bom divisor. O ano que o antecedeu não foi nada fácil. As escalas econômicas variaram entre profunda recessão com desemprego e crescimento zero. O mundo não prosperou em 2001.
Que o euro afaste presságios sombrios e que seus signatários tanto quanto a América tenham dias melhores. E nós também.

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