Felipe Lampreia defende o relançamento do Mercosul
Agência Estado
De São Paulo
As recentes crises comerciais entre Brasil e Argentina prejudicaram o Mercosul e, por isso, os quatro países que o compõem precisam conversar seriamente para relançar o bloco comercial, defendeu ontem o ministro das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Luiz Felipe Lampreia.
O ministro reconheceu que as pendências nos setores têxtil, calçadista, de papel e siderúrgico, entre outros, impediram que o Mercosul avançasse na convergência macroeconômica e no aprofundamento das relações comerciais. Os sócios precisam sentar e ter conversas sérias para chegar a um acordo sobre como proceder para modificar esse rumo de crises crescentes, observou.
Na avaliação de Lampreia, as conversas para o relançamento do Mercosul devem envolver os novos governos da Argentina e do Uruguai, a serem eleitos em outubro. Por isso, ele indicou como data para início desses encontros o fim de 1999 ou começo de 2000. De acordo com o embaixador brasileiro, há pontos do Mercosul que foram postos no papel, mas não entraram em vigor.
Antes da posse do novo presidente da Argentina, em 10 de dezembro, os presidentes brasileiro, argentino, uruguaio e paraguaio têm encontro no Conselho do Mercosul, marcado para 8 de dezembro. Dia 18, o Orgão de Monitoramento de Têxteis da Organização Mundial do Comércio (OMC) discute em Genebra a reclamação apresentada pelo Brasil contra as cotas estabelecidas pela Argentina para limitar as exportações de produtos brasileiros deste setor.
O principal argumento da defesa brasileira será o fato de as exportações brasileiras de têxteis para a Argentina não terem crescido no período recente. O presidente da Associação Brasileira da IndústriaTêxtil (Abit), Paulo Skaf, explicou que as cotas estabelecidas pela Argentina consideraram como teto o volume exportado no período de maio de 1998 a abril de 1999 isso equivale a cerca de 5 mil toneladas.
Nesse período, disse Skaf, as vendas brasileiras para a Argentina caíram por conta da recessão. Já é um período em que ocorreu queda nas vendas, explicou. A intenção Argentina, segundo o empresário brasileiro, é limitar a esse mesmo volume as vendas dos próximos três anos. Para as empresas brasileiras, contudo, a desvalorização do real permitiu ganho adicional de competitividade e a perspectiva do setor era aumentar as vendas para o país vizinho, que hoje já representa 30% das exportações têxteis do Brasil. Nunca pensamos em entrar entrar de forma predatória na Argentina, diz Skaf.





