São Paulo - O projeto de produção de mamona para a fabricação de biodiesel inaugurado esta semana, no Piauí, é uma nova alternativa para a produção de combustível verde a partir da agricultura familiar e que poderá servir de modelo para o fortalecimento do biodiesel no Brasil. Liderado pela Brasil Eco Diesel, proprietária de várias usinas termoelétricas no Nordeste, o projeto pode ser considerado o embrião da Parceria Público-Privada tão desejada pelo governo federal.
O projeto total prevê o plantio de 200 mil hectares de mamona envolvendo 11 mil famílias de agricultores. O primeiro núcleo, instalado no município de Canto do Buriti, a 500 quilômetros de Teresina, possui 18 mil hectares e abrigará 560 famílias. A empresa entrou com o dinheiro cerca de R$ 15 milhões investidos em infra-estrutura, sementes e maquinário , o governo estadual cedeu o terreno e o governo federal desenvolverá ações de incentivo ao uso e comercialização do biocombustível.
Inspirado nos modelos israelenses de cooperativismo agrícola, o núcleo conta com 16 células de produção cada uma com 35 casas. Cada família é responsável por uma área de 18 hectares, dos quais 15 serão destinados exclusivamente ao cultivo da mamona e três para outras atividades de subsistência. O assentamento tem restaurante, escola, centro comunitário, posto médico, centro de informática, mercado e lojas de serviço.
Até a colheita da primeira safra, prevista para junho, cada família receberá um salário-mínimo e cesta básica. A produção prevista é de três mil toneladas de mamona e 1,2 mil toneladas de feijão. A expectativa é que a venda da produção renda cerca de R$ 700 por família.

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