Desde o ano passado, o vereador Roberto Fú (PDT) tenta derrubar a Lei da Muralha. Mas nunca contou com os votos necessários para aprovar seu projeto 161/2011. A prisão do empresário Anderson Fernandes, pelo Grupo de Atenção Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), dia 22 de junho, mudou o cenário na Câmara Municipal.
Fernandes é suspeito de oferecer R$ 40 mil para Fú deixar de brigar contra a Muralha. Segundo o vereador, estaria agindo em nome do empresário Ewerton Muffato. Esse fato encorajou o pedetista a chamar novamente seu projeto para a pauta de votação. Antes disso, ele não contou sequer com 10 votos.
Sob o número 9.689/2005, a lei é uma iniciativa do ex-prefeito Nedson Micheleti. Na época, a rede Wal-Mart pretendia construir uma loja num terreno no Centro de Londrina. Para impedi-la, o prefeito declarou o imóvel de utilidade pública sob pretexto de instalar no local um teatro municipal - coisa que nunca aconteceu.
Por causa disso, ela sempre foi vista como uma reserva de mercado para os supermercados já existentes na cidade.
Na sua primeira versão, a lei dizia apenas que novos empreendimentos capazes de gerar tráfego precisariam passar por Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) caso quisessem se instalar num quadrilátero que abrangia praticamente a região central da cidade.
Um ano depois, o vereador e presidente da Câmara, Orlando Bonilha, apresentou um projeto de lei para livrar os templos religiosos daquela obrigação. O colega Marcos Defreitas pegou carona e apresentou um substituto que, depois de sancionado pelo próprio Bonilha como prefeito interino, se transformaria na lei 10.092/2006.
Ela alterou a anterior, ampliando o quadrilátero para todas as regiões da cidade, com exceção da Zona Leste. E passou a impedir novos supermercados (com mais de 1.500 metros de área de venda) e casas de material de construção (com mais de 500 metros de área de venda). Nem mesmo com EIV, esses estabelecimentos podem se instalar até hoje. Isso só será possível se o prefeito Barbosa Neto sancionar o projeto aprovado ontem na Câmara. (N.B.)

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