Feirinha da Madrugada preocupa comerciantes de Bela Vista
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Uma feira de confecções está incomodando os comerciantes de Bela Vista do Paraíso. Depois que o espaço onde é realizada a Feirinha da Madrugada, do bairro do Brás, em São Paulo, entrou em reforma, a feira se tornou itinerante e tem percorrido várias cidades do País desde dezembro do ano passado. Agora, foi a foi a vez de Bela Vista do Paraíso (Região Metropolitana de Londrina). A feira começou na quinta-feira e os cerca de 200 comerciantes participantes ficam até amanhã das 8h às 22h na cidade vendendo confecções com preços considerados abaixo daqueles oferecidos no mercado.
No local, é possível encontrar peças de roupa por R$ 15 e jaquetas de courino, por exemplo, com preços de R$ 75 ou R$ 90. Quem comemora são os consumidores, que saem de sacolas cheias da feira. "Comprei muita coisa: boininha, bolsa, roupa. Paguei R$ 45 em uma bolsa que geralmente custa em torno dos R$ 90", conta Kellen Cristina de Andrade Martins, de Primeiro de Maio. No total, ela acredita ter gasto mais de R$ 200. Dilma dos Santos Moreira, do Patrimônio Vila Grande, diz que gastou todo o dinheiro que havia levado. "Quem é que não gosta, não é?"
Os comerciantes da cidade haviam pedido à prefeitura, por meio da Associação Comercial e Industrial de Bela Vista do Paraíso, que o evento não se realizasse. Eles temiam que a feira prejudicasse seus negócios. A organização da feira fez o primeiro pedido de alvará para realização do evento em maio, mês do Dia das Mães. Na ocasião, como o evento seria realizado em espaço público, a prefeitura tinha o direito de liberar ou não o alvará, e decidiu por preservar os comerciantes da cidade em uma das datas mais importantes do ano para o comércio. No entanto, como o segundo pedido, para um dia depois do Dia dos Namorados, seria para a realização da feira em terreno particular e tinha todos os requisitos necessários para aprovação, o alvará foi liberado.
Além da baixa no movimento do comércio, os varejistas de Bela Vista do Paraíso temem o fato de que, ao gastarem na feira, os consumidores deixem de pagar suas contas nas lojas da cidade. "Atrapalha o comércio. Como tem esta feira, tudo deu uma parada", afirma Aparecida Valverde, gerente de uma loja de confecções. "Sempre prejudica. A feira vem trabalhando com preços e qualidade muito inferior e isso acaba iludindo o consumidor", diz José Aparecido Pereira da Silva, gerente de outra loja, para quem o movimento caiu 30% a 40%. "Dá dó de quem vende 'na notinha' e no crediário, que está esperando receber para pagar estoque, impostos e funcionários", continua.
Os comerciantes também temem que a vinda da feira venha a se tornar frequente. "Se forem só quatro dias, tudo bem. O pior será se voltarem sempre", comenta Maísa Molan, dona de loja. Segundo a organização e a prefeitura, entretanto, não há previsão de que o evento volte a ser realizado na cidade. Aline Beluci, organizadora, explica que a feira é itinerante e tem programação em uma cidade diferente a cada fim de semana. Segundo o prefeito João Monza (PDT), a prefeitura chegou a propôr uma parceria na feira entre a organização e a associação comercial, onde os comerciantes de Bela Vista do Paraíso poderiam dividir espaço com os comerciantes de São Paulo no evento, entretanto, a associação não concordou. "Acharam que não vale a pena sair do comércio e ir para a feira", explicou Alcides Vilas Boas Filho, presidente da entidade.
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