DivulgaçãoOfício por acasoAs funcionárias públicas Denise Lobo e Zeneide dos Santos montavam caixas decorativas para presentear parentes e colegas de trabalho, hobby que virou negócio com a Feirinha do Armazém: ‘‘Estamos percebendo que o negócio começou a pegar’’

A estabilidade da moeda, promovida pelo Plano Real, trouxe junto o arrocho salarial e a necessidade de muitos trabalhadores conseguirem uma atividade extra para complementar a renda mensal. Em Londrina, duas opções para os assalariados reforçarem o ‘‘ganho’’ têm sido a Feirinha do Armazém da Moda e a Feira da Lua.
O funcionário público Edson Anegawa vende churros nas duas. Com a atividade, ele consegue lucrar cerca de três salários mínimos por mês. Como funcionário municipal, ganha cerca de dez mínimos, dependendo da quantidade de horas extras. Para montar sua barraca de churros na Feirinha do Armazém, Anegawa diz que acorda todos os domingos à 6 horas. Sua mãe, que prepara a massa, tem que levantar mais cedo: às 5h30. A Feirinha funciona das 9 às 13 horas.
Anegawa conta que teve a idéia de montar o negócio para melhorar a renda e também porque, depois de ter passado dois anos no Japão, não consegue mais ficar com ‘‘tempo ocioso’’. ‘‘É gostoso trabalhar nas feiras. A gente acaba conhecendo pessoas diferentes’’, afirma. Casado e com dois filhos, ele diz que os três salários são significativos na composição de sua renda e não podem ser desprezados.
As amigas Denise Lobo e Zeneide dos Santos, ambas funcionárias públicas, montavam caixas decorativas para presentear parentes e colegas de trabalho. Quando souberam da Feirinha do Armazém, que começou a funcionar há cerca de três meses, decidiram transformar o hobby em negócio. Denise, que é formada em Psicologia, e Zeneide, formada em Direito, estão vendendo caixas para embalagens com preços que vão de R$ 0,30 a R$ 3.
Elas trabalham na montagem das embalagens todas as noites, separadamente. ‘‘Duas vezes por semana nos reunimos para tomarmos decisões sobre que tipo de decoração cada caixa irá receber’’, conta Denise. ‘‘Também estamos fazendo cartões com motivos que combinam com as caixas’’.
Como a Feirinha é uma iniciativa nova, Zeneide diz que as vendas só começaram mesmo a deslanchar em dezembro. ‘‘Vendemos uma média de cinco caixas e 20 cartões por domingo. Mas percebemos que o negócio começou a pegar. Recebemos muitas encomendas para o Natal’’.
A fotógrafa Maria Cristina de Carvalho tem sempre uma agulha de crochê ou de tricô a mão. Ela usa qualquer folga para fazer blusas, colchas, toalhas e outros produtos, que vende nas feirinhas do Armazém e da Lua. Somando as duas feiras, ela calcula ganhar R$ 600 por mês. Como fotógrafa, recebe cerca de R$ 800/mês. ‘‘Sou divorciada e preciso trabalhar para conseguir manter meus três filhos’’, diz.

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