Feiras de negócios diminuem em volume e tamanho
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segunda-feira, 05 de fevereiro de 2018
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
O calendário de feiras de negócios de 2018 contará com pelo menos 30 eventos a menos. Essa é a estimativa da Ubrafe (União Brasileira dos Promotores de Feiras), que divulga anualmente o calendário de feiras B2B (Business to Business) de seus associados. Enquanto em 2017 empresas da entidade realizaram 213 grandes feiras de negócios no Brasil, em 2018, este número deverá cair para 183. No total, a entidade estima que sejam realizadas 2009 feiras em todo o País. A Região Sul é a segunda com o maior número de eventos (681), atrás apenas da Região Sudeste (834).
Segundo Armando Mello, presidente executivo da Ubrafe, o setor de feiras é o "espelho da economia". O "encolhimento" do setor, portanto, é reflexo da retração econômica do País. "Em 2015, 2016 e metade de 2017, o PIB diminuiu, e nós também", explica.
De acordo com estudo realizado pela Ubrafe junto à Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em São Paulo, o setor de feiras de negócios movimenta R$ 16,3 bilhões ao ano. Em outras cidades, o valor é proporcional à cadeia produtiva que é envolvida por estes eventos, explica Mello. Entre os setores impactados pela realização de feiras, estão agências de viagens, companhias aéreas, hotéis e restaurantes; e infraestrutura, logística, segurança, limpeza, montagem e decoração nos pavilhões. Só na montagem de uma feira em São Paulo, cerca de 6 mil pessoas são envolvidas. Conforme cálculos do Ministério do Turismo, um turista gasta cerca de R$ 350 ao dia.
Mello observa que os expositores não contam mais com os orçamentos que costumavam ter antes, em 2012 a 2014. Assim, diminuem o tamanho dos estandes e a área ocupada nos pavilhões dos centros de exposição. De acordo com a Ubrafe, a área ocupada nas feiras realizadas pelos seus associados deverá cair de 2.520.000 milhões de metros quadrados em 2017 para 2.050.000 metros quadrados em 2018. "Algumas (feiras) diminuíram 30% a 35% do seu tamanho, mas não tanto o número de expositores, que diminuiu cerca de 8,5%." O número de visitantes também deverá cair 0,6%.
CONCENTRAÇÃO
O encolhimento do setor também ocorre com o cancelamento de eventos menores, resultando na concentração da atividade em grandes eventos e em eventos tradicionais. O setor de feiras passa então a se concentrar em mercados consolidados ao invés de desbravar novos mercados. "Quando temos expansão da economia, feiras acabam gerando 'filhotes'. Quando se enxuga o orçamento, eles voltam para as feiras principais", observa Mello.
Isso é o que também constata Afrânio Brandão, diretor presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná), realizadora da ExpoLondrina. Para ele, está havendo hoje uma concentração de feiras do setor do agronegócio em grandes polos, como Londrina e Maringá.
PARANÁ
Mello destaca que o Estado do Paraná é privilegiado por ter uma economia formada pelo agronegócio, por indústrias e por ter um porto, o que impacta positivamente em todos os setores, inclusive no de feiras. "O Paraná é um Estado muito bem resolvido. O calendário de vocês é muito fechado, com eventos locais mantidos, mas pode haver um impacto na extensão do mercado, com concentração nos eventos que são mais tradicionais, antigos. As feiras principais vão acontecer, principalmente no agronegócio."
EXPOLONDRINA
Brandão afirma que 60% da ExpoLondrina, que deve acontecer de 5 a 15 de abril, já se vendeu sozinha. Em 2017, nesta mesma época do ano, apenas 40% da Expo já tinha sido vendida. "Antes de começar a chamar já estamos vendo demanda. Existe hoje um otimismo. No ano passado tínhamos um País com uma crise monumental dentro do governo, impeachment, inflação disparada com dois dígitos, operação Carne Fraca, o juros estavam lá em cima. As empresas acham que o País está entrando nos trilhos."
A expectativa é que a exposição deste ano seja maior que a do ano passado. "Há expositores em todos os setores, não só de animais, mas também de máquinas e veículos. Tem mais procura que no ano passado." O diretor presidente também diz acreditar que o Parque Ney Braga deverá receber mais eventos este ano. "O parque vive disso. Temos que promover eventos para sustentar."


