Em praticamente dez meses passados de 2013, mais de R$ 1 trilhão em impostos foram arrecadados no País. O número impressiona, mas quando o consumidor brasileiro entende que boa parte dessa carga tributária incide sobre bens de consumo e serviços de forma particular e, muitas vezes abusiva, fica difícil não comprar algo sem pensar na sombra dos impostos indiretos. Conscientizar a população sobre essa questão foi o principal objetivo do Feirão do Imposto, que aconteceu ontem em 19 estados e 200 cidades, incluindo Londrina. No município, a ação está na terceira edição e aconteceu em três locais: Calçadão, Planet Shopping (região Norte) e o Mercadão da Prochet (Sul).
O Feirão do Imposto conta com o apoio de estudantes universitários, empresas juniores, além dos organizadores das instituições JCI Londrina e Conselho do Jovem Empresário da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Durante o Feirão, foram apresentados a quantidade de tributos inseridos em itens da alimentação, remédios, veículos, bebidas, serviços de telecomunicações e energia, além de revelar como esses impostos impactam no custo do salário mínimo. O objetivo também foi criar um ambiente para provocar os consumidores a fiscalizarem a cobrança de tributos e sua destinação, através do recolhimento de 1,5 mil assinaturas para o Movimento Brasil Eficiente e Simplifica Já, que trata sobre a simplificação dos impostos nacionais.
De acordo com a coordenadora do projeto em Londrina, a economista Megumi Goto Hayashi, a carga tributária brasileira é umas das mais altas do mundo, em torno de 36%. Mais do que abusiva, Megumi comentou que não há retorno em forma de serviços essenciais para a população, além do Brasil perder competitividade frente ao mercado externo. "A alta carga tributária afeta a indústria, o comércio e, por fim, o consumidor. Acredito que as pessoas não se importariam de pagar tais tributos se tivessem o retorno em serviços básicos".
Panfletos entregues com diversos produtos consumidos no dia a dia com a análise comparativa dos preços com e sem impostos deixaram alguns consumidores perplexos. Um micro-ondas, por exemplo, custa, com imposto, R$ 354. Sem a tributação de 59%, o valor seria de R$ 143,80. Pensando no supermercado, o preço do feijão cairia 17%, o café 36,5%, o açúcar 40,4% e o frango 16,8%. "Não sabia disso e fiquei impressionado. Se os valores fossem sem impostos, faria uma diferença enorme no meu orçamento familiar", salientou o montador industrial, Valdinei José Pena.
Já o corretor de seguros, João Mattias dos Anjos, disse à reportagem que já sabia da alta carga tributária sobre produtos e serviços. "Acredito que a principal dificuldade em nosso País é que os investimentos em saúde, educação e transporte são muito baixos. Não temos retorno algum do dinheiro que aplicamos. Se isso acontecesse, já estaria satisfeito", argumentou.

Gasolina sem imposto
Para mostrar a diferença no bolso do consumidor ao adquirir um produto livre de impostos, o Feirão realizou uma parceria com o posto Cupinzão, localizado na PR-445. No início da tarde de ontem, os consumidores puderam adquirir 20 litros de gasolina sem tributos. Com isso, o litro, que é normalmente comercializado a R$ 2,89, foi vendido a R$ 1,87, ou seja, redução de 35,6%. No total, foram vendidos 500 litros de gasolina nessas condições.

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