Feirão alerta para peso da carga tributária
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sábado, 03 de outubro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um curitibano sortudo teve a oportunidade única de comprar uma moto muito abaixo do seu preço de mercado. O veículo estava à venda, ontem, durante o Feirão do Imposto, realizado na Capital. O oferta estava pela metade do preço. O comprador pagaria efetivamente apenas o valor da moto. A outra metade - correspondente à carga de impostos - seria custeada pela concessionária.
O evento promovido pela Associação Comercial do Paraná (ACP) tinha o objetivo de mostrar que todos os brasileiros pagam impostos e mostrar qual a diferença entre produtos com e sem a incidência de impostos e tributos. ''A cada ano aumenta o total de impostos que temos que pagar. Até para morrer, pagamos. Se levarmos em conta uma expectativa de vida de 72 anos, a pessoa passa 29 anos trabalhando só para pagar os impostos'', afirmou Cristian Ney Gomes, presidente do Conselho de Jovens Empresários da ACP.
Segundo Gomes, o movimento não é contra pagar tributos. ''Apenas pensamos que a carga tributária brasileira é uma das mais altos do mundo e não temos a mesma contrapartida do governo nos serviços oferecidos.'' Opinião compartilhada pelo estudante de Engenharia Civil, Anderson Garcia, 24 anos. ''Acho que as cargas seriam justas se tivéssemos o retorno na mesma quantidade arrecadada'', comentou.
Aposentado, mas ainda trabalhando em sua lavoura, Guido Luiz Sabadin, 64 anos, se assustou com a incidência em alguns produtos. ''Nunca pensei que fosse tão alto. Tem produto que é quase a metade só de imposto. Por isso meus filhos têm que trabalhar na lavoura junto comigo. Como que eu poderia pagar uma educação boa para eles, pagando tudo isso de imposto?'', questionou.
Entre os itens expostos no feirão estavam os campeões de taxação: o carro, o cigarro e a ''cachaça'', todos com mais de 80% de incidência em seu valor final. Um panfleto com ''ofertas'' demonstrativas mostrava como o sabão em pó poderia custar R$ 1,68 a menos ou o açúcar passaria de R$ 1,01 a R$ R$ 0,60 sem a carga tributária.
No próximo ano, o Feirão do Imposto pretende se transformar em instituto e encaminhar um pedido ao Congresso Nacional para que as alíquotas sejam discrimadas em nota fiscal. Dessa forma, a população conheceria exatamente quanto do seu dinheiro vai direto para os cofres do governo.


