No primeiro dia da Hortinorte, feira que apresenta novas tecnologias para hortifruticultura que acontece no Ceasa de Londrina, mais de 1,6 mil produtores passaram pelos quatro hectares do evento. O evento, que segue até sábado, traz diversas inovações ao mercado, que vão desde sementes e mudas, produção de orgânicos, máquinas de pequeno porte, alimentos hidropônicos, variedades de estufas até apresentação de novas cultivares.
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) apresenta em seu estande maquinários de baixa potência e puxados por tração animal para reduzir o esforço dos agricultores na lida do dia a dia.
Entre eles estão o carrinho pulverizador, que evita que o produtor leve o agrotóxico nas costas, o distribuidor de adubos para áreas pequenas e até uma semeadora para microtrator. O Iapar também apresenta aos produtores da região uma nova cultivar de batata, a BRSIPR-Bel, desenvolvida em parceria com a Embrapa, mais resistente a altas temperaturas, doenças e com melhor produtividade. "Ela possui um alto teor de matéria seca, pois é voltada para a indústria. Sua produtividade chega a 55 toneladas por hectare, enquanto a média para a indústria é de 35 a toneladas por hectare", explicou o técnico agrícola do Iapar Jocemar Campos.
Para atrair os horticultores a conhecerem as novas variedades de sementes, as empresas utilizam estratégias bem interessantes na Hortinorte. A Syngenta, por exemplo, está disponibilizando tablets aos visitantes do seu estande e, através da tecnologia QR Code, eles conseguem assistir palestras virtuais sobre cada produto, enquanto visualizam a horta ao vivo.
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) também traz inovações da pesquisa para facilitar a vida dos produtores sem a necessidade de grandes investimentos. O consórcio de coentro com manjericão, por exemplo, traz repelência à mosca branca do tomate. Já o consórcio do morango com alho oferece repelência ao acaro. "São ações de baixo custo que acabam fortalecendo a agricultura familiar", relatou o doutorando em agronomia da UEL Mateus Gimenez Carvalho.
Os produtos orgânicos e hidropônicos também estão em evidencia na feira. O Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) montou um estande para mostrar aos produtores que é possível ter produtividade e qualidade na produção sem aplicação de defensivos. "Estamos com uma nova sistemática de trabalho, em que a nossa equipe acompanha o produtor por um ano. Ele escolhe duas culturas para teste e vê, na prática, os resultados", disse a engenheira agrônoma da Emater de Uraí Ernestina Izumi Muruoka.
A Emater também traz um estande com a tecnologia dos morangos suspensos, que veio diretamente do Rio Grande do Sul para trazer mais conforto e ergonomia para quem lida com a fruta. Como os morangos ficam na altura da cintura, existe uma menor possibilidade de doenças e o produtor acaba sofrendo menos no manuseio. "Os mais idosos, inclusive, podem voltar a trabalhar se essa tecnologia for aplicada", complementou o coordenador de fruticultura da Emater, Élcio Rampazzo.

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