O Brasil tem participação ínfima no mercado internacional de arte. Mesmo assim, a 11ª edição da SP-Arte, realizada de 9 a 12 de abril, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, esperava movimentar mais de R$ 200 milhões. O balanço oficial só será divulgado nos próximos dias. A projeção leva em conta o faturamento da edição anterior, quando a Receita Estadual paulista registrou R$ 100 milhões em negócios feitos com base na lei estadual de incentivo. A organização da feira estima que as vendas possíveis de serem enquadradas no benefício não cheguem à metade do total.
Segundo Fernanda Feitosa, idealizadora e diretora da SP-Arte, o mercado de arte movimentou 51 bilhões de euros no ano passado em todo o mundo – algo em torno de R$ 163 bilhões. No Brasil, a projeção é de apenas R$ 1 bilhão. "Infelizmente temos uma importância diminuta no mundo. Mas estamos crescendo", conta.
A feira reuniu aproximadamente 2.500 obras de 140 galerias de 17 países. Os valores dos quadros variavam de R$ 1 mil a R$ 5 milhões. Brecheret, Miró, Calder, Maria Martins são exemplos de artistas com participação no evento, cujos trabalhos estão entre os mais caros.
Fernanda considera que a crise econômica possa abrir novas possibilidades de negócios para o mercado de arte. "A arte é um ativo. É um bem de preservação de valor. Então, em momentos de crise, pessoas que têm recursos disponíveis encontram na arte um refúgio de investimento."
O Paraná foi representado na SP-Arte por três galeiras: Sim, Simões de Assis e Ybakatu, todas de Curitiba. Guilherme Simões da Assis é diretor da Sim e filho do proprietário da Simões de Assis. "Fundamos a galeria em 2011 com intuito de promover arte contemporânea com artistas nacionais e internacionais", conta. A galeria do pai dedica-se há 30 anos ao mercado de arte moderna e concreta.
"O mercado de arte está passando por processo de maturação muito interessante no Brasil. Na última década, com o início das feiras, galerias e artistas de fora passaram a vir para cá. E o mercado brasileiro começou a se profissionalizar com esse contato", declara. De acordo com ele, a capital paranaense é um mercado "interessante, mas resistente ao novo". "Nosso papel é remodelar esse mercado para aceitar tudo que é de mais novo na arte", avisa.
Assis não revela o faturamento da empresa. Ele levou a São Paulo trabalhos que custavam de R$ 4 mil a R$ 200 mil. "Se for olhar do ponto de vista econômico e financeiro, a arte é associada ainda à diversificação de investimento. Em crise, as pessoas podem aportar dinheiro num ativo seguro. Isso é frequente", ressalta.
De acordo com ele, algumas pessoas podem deixar de comprar devido às incertezas da economia. "Mas os colecionadores, que vão acompanhando ano a ano o trabalho dos artistas e o movimento das galerias, continuam comprando. Não se intimidam", afirma.
A diretora da SP-Arte diz que outras galerias no País chegam à segunda geração. "Os pais se dedicam ao mercado de arte moderna e os filhos à arte contemporânea."

- O repórter visitou a SP-Arte a convite da OI, patrocinadora do evento.
mockup