Feira em Caxias estimula negócios entre empresas
O que chamamos de fracasso não passa da descoberta de como certas coisas, a nosso modo, não funcionam.
Mário Henrique Simonsen (1935-1997), economista
Mirando de esguelha
Viés de baixa, aqui. Viés de alta, lá. Que bicho é esse? Mais uma contribuição do economês prolixo para o esperanto universal. No Aurélio nosso de cada dia, o verbete viés faz morada entre vienense e vietcongue. Pode? O dicionário serve-se de Euclydes da Cunha, em À Margem da História, para exemplificar: ... pelo viés dos barrancos avergoados de enxurros. E define: Viés: direção oblíqua, em diagonal, de esguelha.
Ah! Sim! De esguelha. Estamos todos entendidos. A arte de fazer a economia funcionar no interesse de milhões de patrícios perplexos é a neura de acompanhar de esguelha o que meia dúzia de burocratas fazem ou deixam de fazer com as taxas de juros em viés de baixa no Brasil ou em viés de alta nos Estados Unidos.
Para os juros da base, viés de baixa, aqui no Brasil, significa simplesmente que a tal de taxa do Bacen/Selic, de 19% ao ano, piso da estrutura de juros de todo o sistema financeiro, pode até não baixar, mas subir, que é ruim, nem pensar. Viés de alta, lá nos Estados Unidos, significa que a taxa do Fed/Fomc, de 5,25%, pode até não subir, mas baixar, que é bom, só no terceiro milênio.
Pressionado pela alta do dólar e pela baixaria da Previdência, o Comitê de Política Monetária do Banco Central cancelou a nova redução da taxa Selic. Uma redução poderia ser interpretada como bravata para as arquibancadas da sinistrose nacional. Mas para não deteriorar ainda mais as expectativas dos agentes econômicos, reféns do estado de espírito dos executivos financeiros, a autoridade monetária trocou o viés neutro (ele existe!) pelo viés de baixa.
Nos Estados Unidos, o Fed de Alan Greenspan e Alice Rivlin avisa que, se melhorar, estraga. Ou seja: se a economia americana mantiver o radiador fervendo neste último trimestre do ano, da década, do século e do milênio, o viés de alta fará valer sua força, levantando a taxa básica na reunião de 16 de novembro. Ou, no mais tardar, na reunião de 21 de dezembro.
Aqui no Brasil, o Bacen de Armínio Fraga e Luiz Fernando Figueiredo prefere dar um tempo ao pacote de recauchutagem das contas furadas da Previdência. Como de praxe, ao invés de sentar a pua nos privilégios previdenciários do setor público, a classe política brasileira apela para o arrocho ainda maior dos aviltados contracheques previdenciários do setor privado. De sobremesa, aumenta a carga fiscal das empresas que já recolhem 22% da folha salarial aos cofres sem fundo do INSS deficitário. Vitória do corporativismo/clientelismo/fisiologismo, o DNA da injustiça social em um Brasil rico de discurso e pobre de decisão.Lucília Okamura
Enviada a Caxias do Sul (RS)
Reuniões individuais entre representantes de micro e pequenas empresas e executivos de áreas de suprimentos e compras de grandes grupos nacionais. Assim é o Projeto Comprador, uma das principais atividades desenvolvidas durante a Mercopar 99 Feira Internacional de Integração Industrial, que está sendo realizado em Caxias do Sul (RS) e termina amanhã.
Nesta edição, 52 grandes empresas do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile foram convidadas e ontem à tarde começaram as reuniões com 229 expositores. É uma oportunidade que as micro e pequenas empresas têm de entrar em contato com as grandes em curto espaço de tempo, observou o consultor do Sebrae-RS, José Carlos Bica.
Uma das empresas convidadas para o Projeto Comprador é a Inepar S.A Indústrias e Construções, de Curitiba, que atua no setor de distribuição de energia. O comprador da empresa, Humberto Albini da Silva, disse que a Inepar está no evento pelo segundo ano consecutivo. Sempre há retorno nessas participações, observou. A Inepar estava com reuniões agendadas ontem, durante a tarde, com fornecedores variados, como de parafusos e materiais de segurança. A possibilidade de fechar negócios é grande, afirmou.
A Mercopar, que começou no dia 6, está na sua 8ª edição, com uma expectativa de receber 20 mil visitantes e realizar negócios de cerca de US$ 47 milhões. Estão participando 304 expositores dos setores metalmecânico, automação industrial, eletroeletrônico, plástico, borracha e serviços industriais, além de comitivas da Inglaterra, Holanda, Portugal e Estados Unidos.
Portugal foi escolhido neste ano como país parceiro do evento. Segundo o presidente da Associação das Indústrias Metalúrgicas, Metalmecânicas e Afins de Portugal, José Manuel Fernandes, é uma oportunidade de se aproximar mais não só do Brasil, mas também dos outros países do Mercosul. Fazendo parcerias no Brasil, as empresas portuguesas podem criar extensões a outros países.
O Sebrae/RS, que promove o evento, anunciou que para o próximo ano a parceira será a Grã-Bretanha. O cônsul geral da Grã-Bretanha, Iain Murray, esteve visitando a Mercopar ontem e disse que são grandes as possibilidades de desenvolver negócios entre os dois países.
Joelmir Beting





