Curitiba - O índice de roubos de cargas no Paraná está alarmando as transportadoras. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), até maio deste ano já foram registrados 61 casos no Estado, sendo 17 só em maio. Estes números estão aumentando ano a ano. Em 2003, 44 cargas foram roubadas e no ano passado 160. Este tema, entre outros como excesso de tributos no setor e pedágios, estão sendo discutidos até sexta-feira no II Congresso Sul Brasileiro de Transporte e Logística, que está acontecendo durante a terceira feira Transportar 2005, em Curitiba, promovida pelo próprio Setcepar e pela Hannover Fairs Sulamérica.
''Está acontecendo uma migração de quadrilhas, que estão passando a visar as cargas. Isso está gerando um aumento de custo. De 8% a 10% do faturamento vai para o gerencimento de risco'', afirma o presidente do Setcepar, Fernando Nunes Klein. E a necessidade de proteger as cargas, e o próprio veículo, está nítida na Transportar. Mais do que concessionárias vendendo caminhões, é possível encontrar na feira empresas oferecendo seguros, monitoramento à distância e escolta. ''Temos rastreamento por satélite e também meios de controlar o caminhão, como travamento de báu e portas. O motorista passa mensagens de tudo que faz para a transportadora'', explica a gerente de marketing da Autotrac, Andressa Giglio, empresa pioneira neste ramo no Brasil.
E os sistemas, além de sofisticados, são caros. O monitoramento descrito por Andressa custa entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por caminhão, mais o custo da base da transportadora e uma mensalidade. O problema de ficar sem estes equipamentos é que as transportadoras não conseguem fazer seguro da carga. ''Para fazer o seguro a gente exige um gerenciamento de risco. A empresa tem que ter mecanismos para rastrear, para fazer escolta'', explica Marcelo Baggio, executivo de compras da seguradora Chubb. Entre as cargas mais visadas, que são facilmente pulverizadas no mercado, estão eletroeletrônicos, remédios e cosméticos, alimentos em geral, entre outras.
A criminalidade também está fazendo com que as montadoras se adaptem. Muitos caminhões já estão saindo da fábrica com mecamismos de proteção. ''Alguns de nossos caminhões já saem da fábrica com um sistema de gerenciamento, que permite rastreá-lo e se comunicar com o motorista. Além disso, o sistema mostra como o veículo está sendo conduzido. Se de maneira certa ou errada'', conta o analista de comunicação da Volvo, Orli Tafner. Hoje a média de preço de uma caminhão básico é de R$ 280 mil. Mas quem quiser uma veículo mais completo, com o sistema de monitoramento inclusive, pode pagar mais de meio milhão de reais.

Serviço
A Transportar acontece no Expo Trade de Pinhais (na região metropolitana de Curitiba) até sexta-feira.

mockup