Feira de empregos para mães aposta em vagas flexíveis e creche
Iniciativa propõe carga horária menor, trabalho em casa e acesso à educação infantil para garantir recolocação de mulheres
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de maio de 2026
Iniciativa propõe carga horária menor, trabalho em casa e acesso à educação infantil para garantir recolocação de mulheres

A Feira de Empregabilidade para as Mães de Londrina, promovida nesta quarta-feira (6) na Sert (Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Renda), atendeu 96 mulheres que buscam colocação ou recolocação no mercado de trabalho e apresentou um modelo voltado para a flexibilização da jornada e ao suporte à maternidade. A iniciativa, direcionada a um público específico, demonstra a necessidade de repensar as necessidades das trabalhadoras ao mesmo tempo em que supre as demandas dos empregadores.
Participaram como empresas parceiras a Seda Bratac, o Grupo Muffato, Léo Cosméticos, Unopar e Concentrix, com ofertas de horários diferenciados, contratos por produtividade e até a oportunidade de home office (trabalho em casa). Para quem não encontrou uma vaga que sirva em suas necessidades, foram oferecidas capacitações que ajudam a iniciar o próprio negócio de casa.
A iniciativa é tratada pela Prefeitura de Londrina como um projeto piloto para ampliar o acesso de mulheres com filhos tanto ao trabalho formal quanto ao empreendedorismo. Segundo o secretário municipal do Trabalho, Emprego e Renda, Cesar Makiolke, o evento foi elaborado a partir da demanda de uma mãe que relatou dificuldades em conciliar emprego e cuidados com os filhos. “Estamos dando ao mercado de trabalho o recado de que é possível atender esse público de forma personalizada”, afirmou.
Entre as principais barreiras apontadas pelas participantes estão a falta de vagas em creches e a rigidez da jornada de trabalho. Para enfrentar esses obstáculos, a feira reuniu empresas dispostas a oferecer alternativas como contratos por produtividade, jornadas reduzidas e auxílio-creche, entre outros benefícios. “A carga horária tradicional de 44 horas muitas vezes é inviável para quem é mãe. Por isso buscamos empresas que aceitassem flexibilizar”, explicou Makiolke.
Flexibilização é oportunidade
O horário reduzido é um dos atrativos para Maria Regina de Lima, de 63 anos. Aposentada, ela cria as netas Giovana, de 12 anos, e Helena, de 2 anos, que entra na creche às 7h e sai às 16h. Após o divórcio há menos de um ano, ela decidiu que não quer só ficar dentro de casa, mas sabe que precisa ampliar a renda para uma vida mais confortável.

Procurou atendimento alardeando: “Eu preciso de um trabalho, mas que eu possa cuidar da minha neta, que tem dois anos. Tenho experiência em padaria, em sapataria, em atendimento.” Foi levada para a sala das empresas e foi entrevistada por duas das cinco empresas parceiras e considerou uma das propostas bastante adequada ao que procura. “Na Bratac, o horário é bom. Posso levar minha neta para a creche, pegar o ônibus para ir ao trabalho, sair e voltar para buscá-la”, comenta. Deixou a Feira com a esperança de recolocação.
A Bratac Seda foi à Feira da Empregabilidade com uma proposta atraente para quem tem pequenos para cuidar, com horário reduzido, das 9h às 13h, além de vale-alimentação de R$ 300 e premiação semanal por assiduidade, além de plano de saúde participativo para quem avança além do período de experiência. Também oferece refeição no local.

Segundo Dayane Maziero, RH da empresa, o horário diferenciado atende não apenas uma necessidade da própria fábrica, mas também dá oportunidade a quem precisa voltar a trabalhar. “Nós entramos nesta parceria para poder inserir no mercado de trabalho as mulheres que não têm condição de deixar os filhos”, explica.

Essa é a condição da haitiana Yasmine Cadet, de 32 anos, residente no Brasil há quatro anos, dos quais dois em Londrina. Mãe do pequeno Vens Rayan Mirbel Cadet, de 1 ano, tem dificuldade em conseguir um emprego de 44 horas semanais, com oito horas durante segunda e sexta, porque ele entra na creche às 7h30 e sai às 16h30.

Moradora da Zona Norte, foi atraída pela possibilidade de encontrar algum lugar que forneça as condições que precisa. Passou por entrevista prévia em duas empresas e deixou o local com a possibilidade, também, de fazer cursos de capacitação que possam se tornar fontes de renda a partir de casa, sem deixar o lar.
Atenção do setor público
Além das oportunidades de emprego, o evento também integrou serviços públicos. A Central de Vagas da Secretaria de Educação fez encaminhamentos para creches, independentemente da contratação imediata, enquanto cursos profissionalizantes foram ofertados por meio do Clube das Mães Unidas e pela Secretaria da Mulher. A estrutura incluiu ainda apoio para elaboração de currículos e atendimento da Sala do Empreendedor, voltado a mulheres interessadas em abrir o próprio negócio.
Outro diferencial foi o acolhimento às mães que compareceram com os filhos. Um espaço com atividades recreativas, contação de histórias e acompanhamento pedagógico foi montado para garantir a participação das candidatas. A ação, feita em conjunto pela Sert, Secretaria Municipal de Política para as Mulheres e Secretaria Municipal de Educação, contou com apoio de parceiros como o Sesc, que manteve a sala lúdica para os filhos enquanto as mães buscavam a recolocação.
Para Makiolke, a iniciativa também busca provocar mudanças culturais no setor produtivo. “As empresas estão começando a entender que precisam se adaptar a um mercado em transformação e que há uma força de trabalho muito produtiva entre as mães, desde que existam condições adequadas”, disse.
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Marisol Chiesa, destacou que a demanda por oportunidades compatíveis com a maternidade é recorrente nas ações da pasta. “Sempre ouvimos que muitas querem voltar ao mercado, mas não desejam deixar os filhos. Esse evento traz um olhar mais humano e sensível para essa realidade”, afirmou.
De acordo com a secretária, a estratégia de aproximar oportunidades do território onde as mulheres vivem também pode facilitar a permanência no emprego. “Quando ela trabalha perto de casa, consegue conciliar melhor a rotina e se sente mais segura em relação aos filhos”, explicou.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.



