Curitiba - A Feira de Sabores Paraná que foi aberta ontem no novo pavilhão de exposições do Parque Barigui, em Curitiba, traz cerca de 1,2 mil opções de produtos alimentícios da agroindústria familiar produzidos em todas as regiões do Estado. Ao todo, são 156 barracas que comercializam geleias, doces, temperos, conservas, queijos, sucos, vinhos, embutidos, defumados, patês, molhos, mel, bolachas e pães.
A mostra tem produtos tradicionais, mas também oferece artigos inusitados como o caldo de cana em pó. O produtor Sebastião Ribeiro desenvolveu cana desidratada e patenteou o produto. Para preparar a bebida, basta adicionar cerca de um litro de água gelada. Além disso, ele fabrica cerca de 200 litros de cachaça por dia a partir da transformação do açúcar mascavo. A produção é concentrada em Conselheiro Mairinck, cidade do Norte Pioneiro.
Outra novidade da feira é o patê de champignon, que leva temperos como azeite de oliva, cebolinha e salsinha e custa R$ 8. A produção é feita em Contenda, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A proprietária da agroindústria familiar, Juanice Boszcz, conta que as vendas são realizadas só no Paraná e concentram-se em Curitiba e Região Metropolitana e Londrina. Segundo Juanice, são produzidos 500 mil quilos de champignon em conserva por mês e 240 vidros de patê. O faturamento bruto mensal chega a R$ 20 mil por mês. ''Sou filha de agricultor e o trabalho com champignon foi uma alternativa para a família continuar no campo'', contou.
Maria de Lourdes Dias Ramos participa da feira desde a primeira edição, em 1999. Ela vende chás orgânicos e travesseiros aromáticos ''recheados'' com ervas como camomila e macela. Os preços variam de R$ 13 a R$ 33.
Ela é proprietária da empresa Da Chácara Santo Antônio localizada em Quatro Barras (RMC). No local, também mantém um restaurante rural. Maria comercializa 500 pacotes de ervas e mil travesseiros por mês. O faturamento líquido chega a cerca de R$ 2,5 mil. ''Participar da feira é positivo para divulgação dos produtos e também traz retorno financeiro. É uma venda de oportunidade.''
O visitante que for à feira também vai encontrar flores. Um dos produtos inusitados na mostra é a rosa do deserto, trazida pela Flora Takemura, de Londrina. É um arbusto suculento de múltiplos troncos nativo das áreas desérticas do leste da África e Península Arábica.
Pode ser encontrada em várias tonalidades como vermelho, rosa, amarelo e branco. É uma planta que gosta de sol e pouca água. Segundo a proprietária da Flora, Rita Takemura, a florada acontece no período de primavera e verão. A família de Rita é produtora de flores em Londrina há mais de 50 anos e trabalha ainda com crisântemo, orquídea e pimenta. Hoje, são seis pessoas na produção e sete na loja. Para a feira, ela trouxe ainda uma rosa do deserto que tem sete anos e custa R$ 200. Em Londrina, ela cultiva uma planta destas que atingiu 30 anos e hoje possui dois metros de altura. As mudas são vendidas a partir de R$ 5.
Outra expositora da feira é a empresa familiar Escher. Luciano Escher, um dos proprietários, conta que trabalha com orgânicos há 12 anos em Campo Magro (RMC). Ele produz geleias, pães e até molho de tomate, tudo orgânico. A empresa produz cerca de 300 pães por semana e 500 vidros de geleia por mês de sabores como amora, morango, uva, laranja e abóbora. As geleias custam R$ 6. ''Também trabalhamos com a produção de verduras orgânicas'', contou. A família atinge um faturamento bruto de R$ 7 mil por mês.

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