Arquivo FolhaPrejuízoExcesso de umidade provoca germinação e perda da qualidade do grão ainda no pé As chuvas que caem há 10 dias consecutivos na região de Castro provocaram alta de 37,5% nas cotações do feijão carioca. Na sexta-feira da semana passada, a saca de 60 kg de feijão carioca, tipo comercial bom, era cotada a R$ 40,00. Ontem, o mesmo produto chegou a R$ 55,00/saca. Segundo o cerealista João Castro, da Cerealista Beija-Flor, a procura pelo produto é grande, mas as chuvas impedem a colheita e consequentemente as ofertas do produto quase não existem. ‘‘Tenho recebido ligações de empacotadores de várias regiões do País querendo comprar feijão, mas não temos mercadoria para atendê-los’’, afirma.
O gerente do Departamento de Assistência Técnica da Cooperativa Castrolanda, de Castro, Gilberto Borges, disse que, além da colheita estar suspensa por causa das chuvas, o excesso de umidade já provoca perdas. ‘‘Ainda não temos levantamento de quanto já foi perdido, mas sabemos que já existe perda principalmente de qualidade’’, afirmou Borges. Ele observa que o excesso de umidade faz com que o grão germine no pé.
Borges disse que na área de atuação da Castrolanda, o feijão ocupa uma área de 10 mil hectares cultivados por cerca de 160 produtores. A estimativa inicial era de que a produção atingisse aproximadamente oito mil toneladas de feijão.
Soja e Milho Pela segunda vez, este mês, a colheita da safra de verão está sendo paralisada pelas chuvas, confirmando as previsões do Simepar de que o ‘‘El Ni¤o’’ voltaria com intensidade no Outono. Há uma semana que chove sem parar e os produtores não podem entrar com as máquinas nas lavouras. Com isso, a colheita da soja está atrasada. Segundo Flávio Turra, da Ocepar, 30% da área plantada com soja foi colhida, quando o normal para essa época seria colher 37%.
A situação é preocupante, admite Turra, porque as vagens da soja começam a apodrecer na planta. Além disso, o excesso de umidade está provocando a incidência do oídio, uma doença fúngica, nesse final de ciclo. A doença compromete a formação dos grãos, e como consequência pode provocar danos econômicos aos produtores.
O milho também está sendo prejudicado. O grau de umidade da planta está elevado e os grãos ficam ardidos. Segundo Turra, o mercado rejeita grãos ardidos com índice superior a 6%.
Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), a frente fria que provocou as chuvas já está se deslocando para o oceano, devendo permanecer chuvas fracas somente na região de Curitiba e litoral do Paraná. Para o Estado, o tempo volta a ficar bom a partir de hoje.
Para a pecuária, a situação é favorável. As chuvas estão mantendo as pastagens e aumenta a capacidade de suporte de animais no campo, informou Adélio Borges, técnico do Deral.

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