Mário CésarConsumidor ilesoAs perdas na lavoura não afetam os preços no varejo: mercado está bem abastecido As chuvas, em excesso desde setembro, já provocaram a perda de 15% da produção de feijão, gerando prejuízos avaliados em R$ 43,5 milhões aos produtores que estão deixando de colher o produto. A expectativa inicial de produzir 426.000 toneladas no Estado foi reduzida para 365.000 t, informou Norberto Ortigara, diretor do Deral, da Secretaria da Agricultura. Se o tempo continuar chuvoso até janeiro, quando ocorrer o pico da colheita de feijão, as perdas poderão ser maiores ainda, acrescentou.
Com a redução de 61.000 toneladas a produção de feijão preto e carioca se equilibram em torno de 180.000 t cada um, destacou Ortigara. Ele estima uma queda de 55.000 t de feijão preto e 6.000 t de feijão de cor. Isso porque as maiores perdas estão se localizando nas regiões tradicionais de plantio de feijão preto como Irati, União da Vitória, Ponta Grossa, Guarapuava e metropolitana de Curitiba, onde a capacidade de produção foi afetada, justificou.
Ortigara salientou que ainda não ocorreram perdas físicas, sendo que elas se referem ao potencial de produção. Ou seja os prejuízos já verificados vão desde a falta de efetivação do plantio como em Irati e União da Vitória até o baixo crescimento das plantas em função do excesso de chuvas, falta de luminosidade e aborto das flores.
A área plantada no Paraná atingiu 454.000 hectares na safra 97/98 e 18% da área já está colhida. Apesar do comprometimento da qualidade, cerca de 7% da safra já está vendida. As vendas estão se restringindo ao feijão preto, que está tendo liquidez no mercado e os preços, variando entre R$ 45,00 e R$ 55,00 a saca estão favoráveis ao produtor. Essas cotações estão se mantendo altas, mesmo com a entrada da safra em função das chuvas. Segundo Ortigara, o normal seria uma queda de preços, mas a expectativa das perdas manteve o mercado aquecido, explicou.
Já as lavouras de feijão de cor não foram afetadas pelas chuvas. Segundo Ortigara o drama é daqui para frente quando a maior parte das lavouras estão em fase de desenvolvimento e podem ser prejudicadas até janeiro quando ocorre o auge da colheita de feijão de cor. O problema continua sendo a comercialização do feijão carioca que está abaixo do preço mínimo (R$ 26,00 a saca). O preço médio no Paraná, segundo o Deral, é de R$ 22,00 a saca e tem regiões vendendo o produto até por R$ 18,00 a saca.
Ortigara não acredita que os preços do feijão ao consumidor terão fortes altas no curto prazo. Isso porque a tendência do mercado de feijão preto é de queda nas cotações com a intensificação da safra. E o feijão de cor, dificilmente terá reação de preços porque o mercado nacional está superabastecido para o consumo, afirmou.

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