O Paraná entra firme na produção de feijão orgânico. Conta com 98 produtores que na última safra plantaram 306 hectares e colheram 1.035 kg/ha. A experiência dos produtores tem o respaldo do projeto que vem sendo conduzido pela pesquisa e extensão rural. No primeiro ano de observação, a engenheira agrônoma Leila Aubrift Klenk, da Emater, conduziu ensaios em 16 municípios, usando como base a variedade Iapar 31, resistente às doenças e tem outras pré-condições para o cultivo orgânico. Baixo custo de produção e boa produtividade são os indicadores que animam os técnicos envolvidos nesse trabalho.

As primeiras informações sobre feijão orgânico foram apresentadas ontem na 5 Reunião Sul-Brasileira de Feijão, que reúne, no Iapar, pesquisadores e extensionistas dos três Estado. Outros temas são problemas fitossanitários, legislação sobre defensivos, tendência de mercado e lei de proteção de cultivares.

O coordenador do evento, pesquisador Anésio Bianchini, ao dar boas-vindas aos colegas, ontem de manhã, descartou a hipótese de que feijão é ''coisa de pobre''. Enquanto alguns pensam assim - disse - outros estão ficando ricos com o feijão. São pequenos e médios produtores que usam a tecnologia hoje disponível. Não é para menos: ao longo desses anos, surgiram variedades altamente produtivas, resistentes às doenças, de boa qualidade comercial e nutricional - informou.

Já o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, frisou que a pesquisa foi o grande ponto de apoio e resistência do feijão. ''Quem tem garantido o produto - de qualidade e baixo preço na mesa do consumidor - é a pesquisa. Ao longo de tantos anos não houve um projeto de política pública para garantir a regularidade do abastecimento desse alimento tão brasileiro e tão importante. Já a pesquisa fez com que a produtividade em feijão saísse de modestos 500 kg/ha 30 anos atrás para atuais 2,5 mil a 3 mil kg/ha.

Dalberto citou recente estudo da ONU que aponta o Brasil em 43º lugar entre os países que transformam seu conhecimento tecnológico em programas de desenvolvimento social. ''O Brasil precisa, com urgência, usar seu conhecimento tecnológico na formulação de programas de bem-estar social''; ou seja, o País precisa distribuir rapidamente os benefícios da pesquisa. Dalberto, que também é presidente do Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Consepa), observou que, apesar das dificuldades orçamentárias, as institutições estaduais têm gerado uma gama enorme de inovações. Há atribuições da pesquisa pública que são intransferíveis, o feijão é um exemplo.

Um dos palestrantes da Embrapa/Rio Grande do Sul, Irajá Ferreira Antunes, disse que o consumo de feijão nos Estados Unidos está ganhando espaço. Médicos estão indicando o consumo de feijão para prevenir doenças da vida e alimentação modernas.

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