Feijão orgânico atrai consumidores
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sábado, 30 de setembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O feijão orgânico, produzido sem uso de agrotóxicos, está ganhando a preferência do consumidor, com um crescimento anual estimado em até 50%. De olho nesse nicho de mercado, pequenos produtores das regiões Sul e Centro-Sul do Estado estão se organizando para aumentar a oferta. Empresas especializadas em produtos naturais estão fechando contratos com os produtores para a compra antecipada da produção.
Só a Associação da Agricultura Orgânica (Aopa) coordenou, na última safra, a atividade de 60 agricultores, em torno de 200 toneladas, entre feijão carioca, preto e azuki. Para esta safra, a Associação está prevendo uma produção maior, de acordo com aumento dos pedidos dos clientes. Segundo o presidente da associação, Rogerio Rosa, a orientação para um plantio de acordo com a demanda prevista, reduz o risco dos produtores. Assim, tudo o que se produz é vendido.
Segundo Rosa, no ano passado os produtores conseguiram um diferencial de até 80% sobre o preço do feijão convencional, que caíram muito. Mas o diferencial costuma ficar entre 25% e 30%. Sobre o preço fixado ao produtor, a Aopa desconta taxas de beneficiamento, transporte e embalagens.
A produção de feijão orgânico paranaense está se concentrando nos municípios de Palmeira, São João do Triunfo, União da Vitória e Irati. São regiões onde os produtores dispõem de áreas livres já em pousio (período de repouso) por mais de uma safra, que permite a implantação do cultivo orgânico.
Em municípios mais próximos a Curitiba, as áreas são menores e geralmente os produtores não têm terreno disponível. A conversão do plantio convencional para o orgânico exige no mínimo dois anos de pousio, para que o solo fique isento dos efeitos dos produtos agrotóxicos.
Curitiba já tem vários pontos de venda de produtos orgânicos. A Aopa vai abrir uma segunda loja num shopping da cidade e as duas feiras que vendem produtos orgânicos são disputadas pelos consumidores. Até a Pontifícia Universidade Católica (PUC) está colocando uma área de seu câmpus à disposição dos produtores orgânicos de Tijucas do Sul, que vão vender seus produtos.
A PUC pretende incentivar o consumo de produtos orgânicos porque é uma forma de fortalecer a agricultura familiar, diminuindo o êxodo rural e ajudando a reduzir o envenenamento por agrotóxicos, argumenta o professor José Fernando Arns.


