Feijão mais barato agrada consumidores
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segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Alimento indispensável no prato da maioria dos brasileiros, o feijão ficou mais barato no último ano. Segundo pesquisa do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), o preço médio do produto, no varejo, caiu 22% no Estado. Em junho de 2003, o quilo custava R$ 2,62. No mesmo mês de 2004, consumidores pagaram R$ 2,05 pelo alimento.
A causa da desvalorização é a má qualidade do feijão disponível no mercado. ''Há excesso de mercadoria ruim'', afirmou a analista de mercado Sandra Hetzel. Ela é responsável pelo site Unifeijao (www.unifeijao.com.br), especializado sobre o produto. Segundo a analista, o clima desfavorável aumentou a oferta do feijão comercial, que não tem saída entre os consumidores.
A anunciada falta de qualidade parece não incomodar os clientes de um supermercado do Jardim Interlagos, na zona leste de Londrina. No estabelecimento, o quilo do feijão tipo 2 custava, na semana passada, R$ 1,25.
''Nessa semana teremos feijão por menos de R$ 1,00'', anunciou o proprietário Fábio Luiz Serpeloni. Segundo ele, a mercadoria comercial tem boa saída entre os consumidores que buscam ofertas. ''Têm outros que só querem o feijão melhor'', explicou.
Para o trabalhador autônomo João Rosa da Silva, a queda no preço foi providencial. Sua família, composta por seis pessoas, consome meio quilo de feijão por dia. ''Agora está fácil comprar'', disse ele, que sempre opta pela marca mais barata.
A auxiliar de ensino Maria Inês Silva Pereira, 45, também comemora a queda nos preços. ''Lá em casa, o feijão é sagrado. Só não tem no domingo, quando comemos macarronada'', contou ela, que continuou consumindo a mesma quantidade do alimento inclusive quando o preço chegou próximo dos R$ 3,00 por quilo.
Na residência da dona de casa Aparecida Conceição Govella, 53, o feijão está presente à mesa até aos domingos. ''Cozinho todos os dias. Caso contrário, meu filho não come'', revelou ela, que sempre procura a marca mais barata.
Apesar do feijão estar presente diariamente na mesa de muitos brasileiros, a analista Sandra Hetzel lembrou que uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada este ano constatou que, nos últimos 30 anos, o consumo de feijão reduziu 25% no País. O consumo per capita caiu de 20 quilos para 15 quilos por habitante ao ano.
Uma das causas é a entrada expressiva da mulher no mercado de trabalho. ''As donas de casa deixaram de cozinhar feijão por falta de tempo'', explicou. Para Sandra, que defende a maior utilização do cereal na alimentação dos brasileiros, a recuperação do consumo depende de investimentos em marketing sobre as propriedades nutricionais do alimento. ''O setor produtivo precisa se organizar e investir na divulgação'', acredita.
A Associação Paranaense de Supermercados (Apras) não têm um levantamento específico sobre incremento de consumo no Estado. O superintende da entidade, Valmor Rovaris, afirmou que independentemente do gênero alimentício, o crescimento real das vendas dos supermercados brasileiros foi de 5,5% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. ''Provavelmente haja consumo maior de alimentos, o que inclui feijão'', comentou.


