Mauá da Serra - O agricultor Haroldo Uemura, de Mauá da Serra, estimava ontem - no segundo dia do início da colheita de 157,3 hectares de feijão tipo carioquinha -, uma produtividade média de 38 sacas de 60 quilos por hectare. Como espera obter preço médio de R$ 50,00 por saca, ele estima rentabilidade de R$ 1 mil por hectare, ao considerar o custo de R$ 900,00 em igual área.
Uemura, que é considerado um dos produtores que mais se preocupam com o uso de tecnologia na região, disse que o cultivo de feijão é importante dentro do sistema de rotação de cultura, o que possibilita a obtenção de cinco safras agrícolas a cada dois anos. Na atual área - incluindo os 24,2 hectares de feijão preto, da variedade IPR 88 - Uirapuru, que deve colher em 40 dia - ele irá semear trigo. O feijão foi implantado onde havia sido cultivado o milho na safra normal.
O agricultor plantou a variedade Iapar 81, desenvolvida pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), própria para a colheita mecanizada pelo porte da planta - aproximadamente 76 centímetros - e inserção de vagem em altura apropriada para a operação com a máquina. O bom desempenho da lavoura resulta do fato de o material ser tolerante ao déficit hídrico. Com o solo bem estruturado e cultivado pelo sistema de plantio direto, o feijão, mesmo com a estiagem, produziu dentro do esperado, apesar de ter potencial produtivo para até 53,7 sacas por hectare, informa Vânia Moda Cirino, pesquisadora do Iapar.
Uemura disse que esta é a quarta colheita mecanizada de feijão na propriedade da família, a Fazenda Andorinha, e a segunda com kit feijão, ou seja, com acessórios próprios para a leguminosa. Segundo ele, a mecanização representa alguns ganhos para a atividade, principalmente no que diz respeito ao ganho de tempo, porque o uso maquinário equivale ao trabalho de 120 homens. ‘‘Além da dificuldade em encontrar mão-de-obra disponível em Mauá da Serra, eu precisaria de um batalhão de trabalhadores para colher em cinco dias o que é possível ser feito por uma colheitadeira em dois dias’’, explica.
O custo da colheita manual equivale-se ao da mecanizada, na avaliação do produtor. Mesmo considerando investimento que o investimento superou os R$ 300 mil na aquisição de uma Case, no ano passado, ele acha que vale a pena. ‘‘O maquinário que normalmente é usado para a colheita da soja e do milho, com acessórios torna-se eficiente para a operação com o feijão. Além disso, a rapidez da colheita afasta o risco de prejuízos, no caso da chuva, e garante a qualidade do grão, já que não há dano mecânico, por causa do sistema axial’’, comprova Uemura.

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