''A gente faz o feijão com arroz com um tempero diferente.'' É assim que o diretor da Belagrícola, João Colofatti, explica o sucesso da empresa que começou com uma pequena representação de adubos em Bela Vista do Paraíso e hoje possui mais de 40 filiais no Paraná e em São Paulo, empregando cerca de 1.300 pessoas.
Criada num momento complicado para o setor agrícola paranaense, quando muitas cooperativas fechavam suas portas, a Belagrícola conseguiu sobreviver àquela e muitas outras crises. Hoje se encontra na 339 posição no ranking Valor 1000. ''Um dos momentos mais difíceis foi quando o dólar disparou em 1999, passando de R$ 1,20 para R$ 1,90'', lembra.
Para o diretor, crise é uma oportunidade para buscar soluções. No início da década passada, a empresa ousou ir além da venda de defensivos. Passou a comercializar grãos e assessorar os produtores e hoje atua também na construção de armazenagens. ''Uma empresa é um monte de problemas que tem de dar lucro'', brinca Colofatti.
Uma coisa que ele aprendeu na trajetória como empresário foi delegar tarefas. ''Eu era muito centralizador. Achava que ninguém iria fazer o trabalho do mesmo jeito que eu, mas depois percebi que tem gente que faz melhor'', conta. Até 1993, quando a Belagrícola já tinha oito filiais, era o próprio Colofatti que cuidava da administração e da contabilidade. ''Se não tivesse revisto minha postura, a empresa não teria crescido mais'', reconhece.
Ele ressalta que a agricultura brasileira sofreu uma verdadeira revolução nas últimas três decadas. E a palavra que entende definir melhor esse processo é ''profissionalização''. ''Antes, o agricultor mal sabia vender sua produção. E hoje tem de acompanhar a Bolsa de Chicago'', compara. (N.B.)

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