Feijão carioca sobe 38% em 20 dias
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quinta-feira, 21 de novembro de 2002
Carolina AvansiniReportagem Local 
A escassez de feijão carioca no mercado valorizou o preço do produto em 38% nos últimos 20 dias. A geada, a seca e o excesso de chuva que se alternaram durante o desenvolvimento das lavouras causou quebra na safra paulista e deve reduzir os números esperados para a safra paranaense, que começou a ser colhida no início do mês. O consumidor, grande prejudicado pela alta, está pagando R$ 2,02 pelo quilo da mercadoria.
Na região de Umuarama, a colheita atingiu 80% das lavouras. O produtor Marcos Roberto Marcon plantou 40 hectares no município e contabiliza uma quebra de 50% na produção. Ele previa colher 30 sacas por ha, mas como o feijão foi atingido pela seca, a expectativa diminuiu para 20 sacas/ha. Ontem, com 25 ha colhidos, ele esperava uma produtividade de 15 sacas por ha. ''Choveu muito na colheita'', justificou.
Marcon já recebeu uma proposta para entregar a saca do feijão novo a R$ 80,00, mas não fechou negócio. ''Vou terminar de colher antes de vender'', argumentou. Seu custo de produção é de 10 sacas por ha. ''Apesar da quebra, não terei prejuízo'', avaliou.
O engenheiro agrônomo Gilberto Martins Bello, do Departamento de Economia Rural (Deral) da secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), acredita que o feijão recém-colhido deva ser comercializado a preços entre R$ 75,00 a R$ 80,00 até meados de dezembro. ''É um excelente preço. O produtor deve aproveitar o atual momento do mercado para vender'', orientou.
Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar Corretora, informou que a valorização do feijão não é especulativa. ''O mercado esperava uma oferta abundante, mas a produtividade caiu por causa do clima.''. Segundo ele, São Paulo, que deveria estar abastecendo os mercados do Sudoeste, Centro-Oeste e Nordeste, enfrenta quebra de 50%.
O Paraná, que já colheu 8% das áreas, é o maior produtor nacional e deve produzir 485.4 mil toneladas nesta safra. O número é 7% menor que a previsão inicial, revista por causa da seca. A chuva da primeira quinzena de novembro pode ocasionar mais danos e aumentar a quebra. O Deral, porém, não tem números oficiais sobre o assunto. ''As lavouras podem se recuperar'', esclareceu Bello.
Feijão preto O produtor está recebendo R$ 65,00 pela saca do feijão preto. A cultura também enfrenta risco de quebra por causa das variações climáticas, mas ao contrário do feijão carioca, não deve haver disparada no preço. Luders comentou que a mercadoria foi vendida lentamente porque os preços não estavam atrativos. ''Ainda há estoques'', disse.
Além disso, há uma nova safra sendo colhida e existe a opção de importar da Argentina. ''Apesar do risco do El NiÀo, a possibilidade dos preços dispararem é remota.''


