A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e 84 sindicatos do setor entraram na briga contra o Sonae ontem, um dia depois dos fornecedores de legumes e verduras protestarem na Assembléia Legislativa. Uma comissão de empresários entregou às 15 horas ao presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), um documento de protesto contra as cláusulas contratuais impostas também aos fornecedores do setor industrial.
A conversa com Khury foi antes de o comando do Sonae anunciar a disposição em negociar com os fornecedores (leia mais nesta página). Os fornecedores da indústria alegaram, no documento, que o cumprimento das exigências contratuais representa uma desvalorização que vai de 20% a 30% do valor da mercadoria. E que o prejuízo tem que ser arcado por eles mesmos. Os empresários reclamaram ainda de inúmeras taxas que são recolhidas pelo grupo português compulsoriamente, como contrapartida para a exposição de seus produtos nas prateleiras.
O movimento pediu a interferência da Assembléia nas negociações. Eles temem que o Sonae reaja à pressão e passe a importar de outros Estados. ‘‘O Sonae está monopolizando o mercado’’, assinalou um empresário. A Fiep e os sindicatos da indústria não têm um levantamento sobre qual é a fatia que o grupo português detém no mercado paranaense. ‘‘Mas eles estão caminhando para um monopólio. Estamos tendo que nos render às cláusulas desses contratos e daqui há pouco ninguém mais os segura’’, constatou um dos empresários.
Um cálculo feito pelos fornecedores da indústria dá conta que a cobrança por três meses de rapel - uma taxa cobrada pelo Sonae como ‘contribuição’ para a expansão da rede no mercado - paga investimentos do grupo. Na conversa com Khury, eles deram como exemplo a aquisição do Coletão. ‘‘Em três meses, só em rapel, eles arrecadam o que gastaram. Apesar da distribuição geográfica dos supermercados estar pulverizada, eles estão avançando com verocidade. É a ditadura do capital, com nova modalidade de imposto’’, ponderou um dos integrantes do movimento.

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