Representantes da Federação Nacional dos Revendedores de Combustíveis (Fecombustíveis), consideraram ''apressadas'' as decisões do governo federal diante dos números negativos registrados no mercado mundial. Para o presidente da entidade, Luiz Gil Siuffo, Fernando Henrique Cardoso não pode raciocinar em cima de fatos ligados ao terrorismo ''sem levar em conta as quedas constantes no preço do barril de petróleo''.
As críticas foram apresentadas ontem, pouco antes da abertura do 4º Encontro de Revendedores de Combustível do Mercosul (Expopetro 2001), realizado em Foz do Iguaçu. O evento prevê a participação de 2 mil pessoas, entre empresários e especialistas. Até sábado, eles discutirão os principais problemas do setor, entre elas reforma tributária, sonegação fiscal, legislação ambiental e variações de preço. Em conversa com os participantes, o presidente da Fecombustíveis desaprovou o aumento de pelo menos 4% nos preços dos combustíveis diante de um quadro mundial considerado ''favorável'' ao Brasil. Ele relembrou que a dependência do País vem reduzindo a cada ano (apenas 15% de todo petróleo vêm do exterior) e citou o menor preço do barril já registrando desde a Guerra do Golfo. ''Sei que tivemos um aumento considerável na cotação dólar, mas não podemos esquecer que barril caiu de US$ 29 para US$ 21. Não sei se esse aumento estaria servindo para cobrir a crise nacional ou aumentar o déficit primário'', questionou Siuffo, usando dados históricos para embasar tal justificativa.
Atualmente, dos US$ 60 bilhões registrados em importações, cerca de US$ 4 bilhões (7,5%) são gastos com a compra de petróleo. Em 1979 (época em que a Guerra Irã-Iraque iniciava uma das piores crises do abastecimento mundial), a balança comercial brasileira registrava compras do ''ouro negro'' estimadas em US$ 11 bilhões, o equivalente a 55% do total de importações (US$ 20 bilhões).
Além de Siuffo, participam do encontro presidentes dos sindicatos da categoria do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Todos foram unânimes em destacar que a reforma tributária seria a melhor opção para garantir bom preço e qualidade. ''O setor enfrenta dificuldades com sonegação, adulteração e até mesmo contrabando'', disse o presidente do Sulpetro-RS, Antonio Gregório Goidanich.

mockup