São Paulo - O Federal Reserve (banco central dos EUA) manteve a sua taxa básica de juros inalterada em 1% ao ano, como era previsto. A instituição, no entanto, sinalizou que poderá começar a elevar os juros de maneira ''moderada'' e deixou de afirmar que terá ''paciência'' para mexer na política monetária.
Para os analistas do mercado financeiro norte-americano, diminuiu o risco de uma elevação na taxa de juros já na próxima reunião do Federal Reserve, no mês que vem. Por outro lado, cresceu bastante a possibilidade de o aumento ocorrer ainda neste ano.
Os mercados de juros futuros de curto prazo trazem a expectativa de um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa básica em agosto. Mas o mercado reagiu com tranquilidade à decisão de ontem, porque o Fed se demonstrou calmo quanto aos riscos de um aquecimento inflacionário.
De qualquer maneira, ainda que haja uma pequena elevação neste ano, os juros, indicou o Fed, deverão permanecer em níveis historicamente baixos por mais algum tempo. Isso favorece investimentos de maior risco, como ações e títulos de países emergentes - um exemplo é o Brasil.
Em nota divulgada após a reunião de seu comitê de política monetária (o Federal Open Market Committee), o Fed diz que ''a produção continua a se expandir com solidez, e as contratações parecem estar em alta''. Sobre os preços, afirma: ''Ainda que os números mais recentes tenham crescido um pouco, as expectativas de longo prazo quanto à inflação parecem continuar sob controle''.
A nota emitida ontem difere bastante da linha que vinha sendo adotado pelo Fed. Além de ser bem mais positiva quanto aos sinais de atividade econômica e emprego, não faz nenhuma referência à deflação e prepara o mercado para uma alta nos juros.
Logo depois do anúncio da decisão, no meio da tarde, as Bolsas norte-americanas começaram a operar em alta. Mas o ritmo de valorização perdeu fôlego, e os principais índices encerraram praticamente estáveis.
O índice Dow Jones encerrou em alta de 0,03%, e a Nasdaq subiu 0,61%. A taxa de retorno dos títulos de dez anos avançou um pouco, para 4,54% ao ano. ''Os comentários do Fed foram exatamente os que os investidores queriam escutar, um gradual e provavelmente longo período de aumento de taxas, o que não deveria surpreender ninguém'', afirmou Frederic Dickson, estrategista-chefe da corretora de investimentos D.A. Davidson.
Desde junho passado, a taxa básica do Federal Reserve está em 1% ao ano, a menor desde 1958. As taxas cobradas pelos bancos privados para empréstimos estão em 4%, as menores em mais de quatro décadas.
Os analistas terão uma idéia mais clara sobre o timing do aumento na taxa dos juros na sexta-feira, quando serão divulgados o número de vagas abertas pela economia no mês passado. Um bom resultado pode antecipar a alta nos juros.

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