O presidente do Federal Reserve (FED), o banco central norte-americano, Alan Greenspan, vem alertando há meses para o risco das altas nas Bolsas, particularmente na de Nova York. No dia 6 de dezembro de 1996, há quase dois anos, portanto, cunhou pela primeira vez uma expressão que, em apenas 30 minutos, fez o Indice Dow Jones cair 145 pontos. Greenspan afirmou, na ocasião, que Wall Street vivia uma fase de ‘‘exuberância irracional’’. As altas, para ele, não refletiam o desempenho efetivo das empresas cujas ações são negociadas nos pregões. A economia e os lucros não poderiam subir indefinidamente.
Curioso é que, no final de 96, o Dow Jones (indicador das 30 principais ações industriais) ainda estava no patamar de 6.500 pontos. Em novembro de 96, subira 8,2%, a maior alta em um mês desde dezembro de 1991. De lá para cá o índice continuou a se elevar, apesar dos solavancos provocados pela crise asiática, deflagrada em julho de 97. Em abril de 98 rompeu a barreira dos 9.000 pontos. O recorde do Dow Jones foi em 17 de julho passado, com 9.337,97 pontos. Ontem, fechou em 7.539,07. Desabou quase 20% no período.
O alerta de Greenspan não foi um fato isolado. Na área acadêmica, não foram poucas as advertências para o risco da liberdade dos capitais pelo mundo. John Kenneth Galbraith citou erros do passado que se repetiam, referindo-se ao crash de 87. Wall Street, parece, não se deu conta disso. Com altos e baixos, o Dow Jones manteve o fôlego. O argumento era o de que, com os avanços de produtividade e de tecnologia, os fundamentos da economia haviam mudado.

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