Fecularias paralisam produção no Paraná
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quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Fecularias do Paraná começam a paralisar atividades por não encontrarem mandioca no mercado. Por causa dos baixos preços do ano passado, produtores diminuiram a área de plantio. O Estado deve colher 2,3 milhões de toneladas de raiz neste ano. De acordo com o engenheiro agrônomo Methodio Groxko, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), no ano passado a produção foi de 3,4 milhões de toneladas.
A produção brasileira de fécula também vai diminuir, caindo de 670 mil toneladas em 2002 para 537 mil toneladas neste ano. A informação é de João Eduardo Pasquini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam). A consequência, segundo ele, é que o setor vai perder mercado para os concorrentes diretos, como é o caso do amido de milho.
A escassez também elevou o preço da raiz, que já custa mais de R$ 280,00 por tonelada. O preço da fécula é estável, em torno de R$ 1,45 por quilo. A saca da farinha, atualmente, vale R$ 53,00.
Na indústria de produtos alimentícios Pinduca, de Araruna, tradicional fabricante de farinha, farofa e biju à base de mandioca, a produção foi encerrada na semana passada. De acordo com o diretor comercial Hermes Campos Teixeira, a estrutura utilizada para processar a raiz trabalhou com ociosidade de 70% nos últimos 120 dias. ''Dispensamos muitos funcionários'', contou.
Normalmente, a empresa produz 500 toneladas diárias de derivados de mandioca. Para contornar o prejuízo, investiram nas outras áreas da indústria. Amendoim, pipoca, goiabada e abacaxi em calda estão na lista de alimentos produzidos. ''Esperamos que a situação se normalize em abril, com a entrada da nova safra'', disse.
Na fecularia MCR, de Mercedes, na região de Marechal Cândido Rondon, a indústria vai parar na segunda quinzena de novembro. Desde setembro, a empresa trabalha com 20% da capacidade. ''Financeiramente é inviável'', afirmou o gerente comercial Roberto Muller. Como a MCR produz apenas fécula e amidos modificados, ficarão sem produzir até fevereiro ou março do ano que vem.
Em situação de oferta de raiz estável, a fábrica produz de 80 a 100 toneladas diárias de fécula. Muller lamenta a perda desse mercado para os concorrentos diretos do produto, como os derivados de milho e trigo. ''A recuperação do mercado depende do aumento da área plantada'', defende.
Com esse objetivo, a Abam lançou o programa ''Plantio Responsável da Mandioca'', que oferece preço mínimo de R$ 100,00 para produtores que se comprometerem a entregar o produto.
Cleto Lanziani Janeiro, presidente da Associação dos Produtores de Mandioca do Paraná, sediada em Paranavaí, afirmou que o programa é uma boa idéia que ainda não foi efetivamente colocada em prática. ''Os produtores não procuram as fecularias e vice-versa.''
Ele informou que, por causa dos alto preços da raiz, tem muita gente investindo na cultura. Se a oferta for excessiva, os preços podem cair muito, a exemplo do que aconteceu em 2002, quando uma tonelada chegou a ser negociada a R$ 30,00. De acordo com o Deral, a estimativa é que a área paranaense de mandioca aumente 35%, passando de 111 mil hectares para 150 mil ha.


