Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A Companhia Lorenz fechou nesta semana sua fecularia de mandioca em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), deixando 47 funcionários sem receber salários e o dinheiro da rescisão contratual. Procurada pela Folha ontem, a empresa, sediada em Blumenau (SC), não se pronunciou.
Segundo Beno Schroder, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Medianeira e Região, apenas em salários - que não são pagos desde março - a Lorenz deve cerca de R$ 60 mil. Além disso, de acordo com o sindicalista, a empresa não pagou os direitos trabalhistas de 19 funcionários demitidos em junho e, desde setembro do ano passado, não deposita a parcela patronal do FGTS.
A Lorenz teria também descumprido um acordo firmado com o Ministério do Trabalho, que destinava a produção estocada nos armazéns exclusivamente para o pagamento dos funcionários. Na semana passada, a empresa teria retirado, sem autorização, a produção armazenada na fábrica.
Além de não pagar funcionários, a Lorenz deve cerca de R$ 115 mil a 53 agricultores da região, que forneciam mandioca à fecularia. O aluguel do prédio onde funciona a indústria também está atrasado. A produção na fecularia estava desativada desde 14 de maio, quando os funcionários iniciaram uma greve para receber salários que, na época, estavam atrasados desde novembro.
Fundada há 83 anos, a Companhia Lorenz possui oito fábricas em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. No Paraná, são quatro fecularias de mandioca (São Miguel do Iguaçu, Quatro Pontes, no Oeste do Estado; Umuarama e Cianorte, no Noroeste) e uma de milho (em Apucarana, Norte). Em 98, a empresa faturou cerca de US$ 100 milhões.
Segundo a Folha apurou, a crise atinge também as outras unidades do grupo. Na unidade de Apucarana os 71 funcionários, com três meses de salários atrasados estão em greve há 30 dias. Além da dívida, de aproximadamente R$ 110 mil com salários, a Lorenz não deposita o FGTS há 24 meses.
A situação ficou insustentável a partir de maio, quando operários passaram a protestar diante dos portões da empresa. Anteontem o presidente do Sindicato das Indústrias da Alimentações de Apucarana e Vale do Ivaí, Ernane Garcia Ferreira, manteve nova reunião com o gerente da indústria, Ivo Wisner, para tentar um último acordo. ‘‘Vamos voltar a trabalhar na segunda-feira, com o compromisso de que a cada 15 dias a empresa resgate um salário em atraso’’, revelou Ferreira. (Colaborou Maurício Borges, de Apucarana)

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