A Força Sindical fechou ontem o primeiro acordo de redução de jornada de trabalho, depois da deflagração, há três semanas, da campanha por carga máxima de 40 horas semanais, e não 44 horas como prevê a Constituição. Os 500 metalúrgicos da Brazaço Mapri Textron, em São Paulo, passarão a trabalhar 40 horas no segundo semestre: em agosto haverá redução de duas horas e em outubro de mais duas. O acordo prevê que a mudança se dará sem qualquer redução salarial, segundo informou o secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, que liderou assembléia dos trabalhadores na portaria da empresa no início da tarde.
O sindicalista espera a partir de agora uma temporada de acordos. A MWM, com 1.200 empregados, e a Rolamentos Fag, com1.300, por exemplo, abriram negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, de acordo com Juruna. No campo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) há negociação iniciada com a Magneti Marelli, de Campinas.
Ontem foi mais um dia de paralisações-relâmpago em empresas da base da Força Sindical, metalúrgicas e da construção civil. E também de coleta de assinaturas para a emenda constitucional de iniciativa popular, que prevê a redução de jornada para todos os trabalhadores. O Sindicato dos Comérciários de São Paulo distribuiu no Shopping Iguatemi cópias do formulário do abaixo-assinado para que os empregados coletem assinaturas de amigos e familiares. Os formulários com as adesões serão recolhidos hoje. O vice-presidente da entidade, Ricardo Patah, disse que a categoria vai paralisar um shopping center este mês da cidade, em defesa da redução da jornada. O nome do shopping está sendo mantido em segredo.
Os metalúrgicos da CUT fizeram também ontem manifestação em frente da sede do Sindicato Nacional da Indústria de Autopeças (Sindipeças) pela redução de jornada. Cerca de 300 trabalhadores do ABC, Campinas, São José dos Campos, Taubaté, Sorocaba, Matão e outras cidades do Estado lotaram ônibus para participar do protesto em São Paulo. O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Navarro, entregou a pauta de reivindicações ao secretário-geral do Sindipeças, Willian Mufarej. A CUT defende limite de 36 horas semanais de trabalho.

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