A febre aftosa voltou ao Brasil. O Rio Grande do Sul constatou clinicamente ontem seu primeiro caso da doença desde a crise gerada pela aparição de casos no rebanho da cidade de Jóia, nove meses atrás. Na ocasião, foram sacrificados mais de 11 mil animais.
Desta vez, o foco se localiza em Santana do Livramento, na divisa com Rivera (Uruguai). A cidade decretou estado de emergência. Trata-se de uma fronteira seca, pela qual as pessoas transitam como se houvesse uma cidade única.
O secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, responsabilizou o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, pela contaminação, levando a discussão do problema técnico para o campo político.
‘‘Havia centenas de focos na Argentina e no Uruguai, a poucos quilômetros da nossa fronteira. Por que seria diferente com o Rio Grande do Sul? Vínhamos pedindo a vacinação há tempo e avisando que, sem ela, a entrada do vírus no Estado era questão de dias. A imunização dos nossos rebanhos seria a solução para evitarmos isso’’, disse Hoffmann.
O ministro não foi localizado para comentar as afirmações de Hoffmann, que descartou por ora o abate dos animais doentes. São 11 novilhos, que serão tratados e vacinados. Amanhã começa a vacinação emergencial na região.
Os animais contaminados apresentam salivação excessiva, aftas e lesões nas patas. Com dificuldade de comer, emagrecem e podem morrer por inanição.
No sábado foi realizada coleta de sangue para sorologia em laboratório de Belém (PA), que deve ser concluída amanhã, definindo o tipo de vírus que afeta os bichos. Hoffmann disse que o exame clínico não deixa dúvidas de que é aftosa.
Os animais são da cabanha Bom Retiro, localizada a 75 quilômetros da área urbana de Livramento. A vacinação no Rio Grande do Sul deve começar em uma área de cinco quilômetros, sendo vacinados imediatamente 9.000 bovinos em cinco propriedades limítrofes à cabanha.
Pecuaristas de outros municípios, como Uruguaiana (divisa com Paso de los Libres, na Argentina, onde já se constatou um foco) e Barra do Quaraí (fronteira com Argentina e Uruguai, ao lado de Uruguaiana) pediram a vacinação imediata e se dizem preocupados.
O Ministério da Agricultura e os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná acertaram um acordo sábado à noite na 4ª Reunião do Circuito Pecuário Sul, em Florianópolis, pelo qual os gaúchos começam a vacinar amanhã o rebanho de 25 municípios da fronteira. Os paranaenses, que não fazem parte do circuito, estiveram como convidados.
Hoffmann insistiu, durante o evento, que o ideal seria a vacinação de toda a área do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, não apenas na fronteira.
Os gaúchos recebem hoje quatro milhões de doses da vacina. O secretário afirmou que o esquema de distribuição e aplicação já está preparado. A central de armazenamento será instalada no município de Capão do Leão.
A Assembléia Legislativa vota amanhã, em sessão extraordinária, a contratação emergencial de cem veterinários e mil vacinadores pelo governo do Estado.
Ontem, o governo de Santa Catarina, que se opõe à vacinação, começou a montar barreiras sanitárias na divisa com o Rio Grande do Sul, para impedir a entrada, em seu território, de animais vivos e carne com osso - que retém o vírus.

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