São Paulo - A Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) distribuiu ontem comentário contestando estudo elaborado pela economista Agnès Belaisch, do Departamento Ocidental do Fundo Monetário Internaciona (FMI).
  O economista-chefe da Febraban, Roberto Troster, afirma em documento que ‘‘as opiniões contidas no documento são da autora, apenas, e não representam necessariamente as do FMI ou de suas políticas. É um trabalho em andamento, publicado para receber comentários e incentivar o debate’’.
  Segundo ele, mesmo assim, há ponderações que deveriam ser consideradas por todos os estudiosos do desenvolvimento econômico brasileiro. A mais importante é lembrar que sistemas financeiros mais desenvolvidos estão associados a mais investimento e a um melhor desempenho econômico.
  A sua dedução é que, para o Brasil crescer mais, tem de desenvolver melhor seu sistema bancário. Para o economista-chefe da Febraban, o relatório de Agnès apresenta alguns equívocos, ‘‘comuns em trabalhos preliminares’’. Ela coloca o total de bancos do Brasil como 135 em 2001 enquanto o número correto é 182 bancos (28 comerciais, 153 múltiplos e 1 caixa) e, em 1998, elenca 157 bancos, quando havia 202 (27 comerciais, 174 múltiplos e 1 caixa).
  Troster observa ainda que o estudo fala em municípios sem assistência bancária. Isso era realidade em 2001, mas a partir de outubro de 2002 todos os municípios brasileiros têm algum tipo de atendimento bancário.
  O relatório mostra que o sistema bancário brasileiro é sólido e bem capitalizado e menciona a reestruturação feita após 1996, apesar de não relacionar as duas coisas. Menciona também que os bancos brasileiros são mais ineficientes e têm gastos com pessoal maiores que outros sistemas bancários. Troster frisa que uma das causas que a autora menciona para ‘‘gastos de pessoal elevado é o ‘‘status do ambiente regulatório e legal em que os bancos operam’’.
  O estudo mostra o impacto negativo dos compulsórios na eficiência da intermediação bancária. Há outros pontos como a elevada tributação e os subsídios cruzados que também oneram a intermediação bancária que não foram mencionados, aponta a Febraban. O documento destaca que uma das causas para o baixo crédito bancário é a baixa taxa de poupança sobre o PIB.
  Troster considera que as comparações de custos com outros sistemas bancários tem pouca validade porque o nível de prestação de serviços dos bancos brasileiros é superior ao de outros países e o ticket médio de operações de crédito é menor no Brasil.

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