Brasília - A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) está disposta a atender a convocação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e participar de uma aliança nacional para conter a inflação, reduzindo o custo dos empréstimos. O presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Paulo Bernardo (PT-PR), vai levar a boa nova ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, esta semana, e propor uma reunião dos economistas do governo com dirigentes da entidade para discutir a redução do spread bancário (diferença entre o custo da captação dos recursos e o custo dos empréstimos).
A idéia da reunião com o governo foi de iniciativa do próprio presidente da Febraban, Márcio Cypriano, que sugeriu um movimento para baixar o spread. Em conversa informal com o parlamentar petista e o presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNIF), Gabriel Jorge Ferreira, Cypriano contou que a entidade está fazendo estudos para baixar a diferença entre o custo da captação dos recursos e o custo dos empréstimos bancários. ''Como nós estamos fazendo este trabalho e o governo também, você poderia falar com o Palocci para a gente se reunir e discutir este assunto'', propôs Cypriano na semana passada.
Paulo Bernardo não tem dúvidas que o Congresso terá papel fundamental neste ''movimento nacional'' para evitar a alta da inflação. ''Temos que negociar com esse segmento dos bancos e colocar os tomadores de empréstimo - como os industriais e os comerciários, para falar também. Precisamos ouvir todo mundo'', defende o petista, convencido de que caberá aos políticos mediar o debate.
O presidente nacional do PT, José Genoino, também apóia o debate e defende a iniciativa do governo de propor uma parceria com o empresariado para conter a inflação. ''Não se trata de controle de preços'', adverte Genoino. ''Trata-se de uma negociação que o governo tem que fazer com empresariado, até porque ele está dando todo o suporte para as empresas crescerem'', completa.
A seu ver, os empresários têm o direito de reclamar da carga tributária, mas o governo também tem o direito de propor e sugerir que todos façam sua parte em favor do País. ''O empresário tem que ter visão nacional, de País, mas não é nada impositivo. O que o governo quer é uma conversa franca'', diz o presidente do PT.
Paulo Bernardo concorda que não cabe imposição do governo neste caso. ''Temos que diminuir os custos de produção no País. Aí o governo terá como exigir que não se aumente preços'', analisa. Por isto mesmo, o deputado insiste no diálogo com a Febraban, certo de que a redução do custo do capital na tomada de empréstimo pode ajudar muito a evitar as remarcações.
Ele acredita que a hipótese de o governo liberar as importações para forçar a queda de preços no mercado interno é uma medida extrema que, ao menos por enquanto, não será adotada. Afinal, raciocina, todo o discurso e a ação do governo são no sentido de fortalecer a produção interna. ''Medidas duras são para ser usadas em último caso, se os empresários tiverem realmente forçando ganhos, e não seriam adotadas de bom grado. Ainda tem muito espaço para negociação'', defende Bernardo.

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