O Frigorífico Pérola do Norte Ltda, de Santo Antônio da Platina (20 km ao sul de Jacarezinho), começou a negociação de uma dívida estimada em R$ 3 milhões com pecuaristas da região. A empresa paralisou as atividades e concedeu férias coletivas aos funcionários no final da semana passada.
Segundo fazendeiros da região, a empresa acumulou prejuízos nos últimos meses por causa de oscilações do mercado e está com dificuldade para saldar as dívidas com os fornecedores.
A possibilidade de fechamento da empresa mobilizou os pecuaristas da região. Eles estão dispostos a ceder alguns animais por empréstimo e negociar a dívida com o frigorífico. ‘‘Temos que defender a empresa em quem confiamos e que pertence ao nosso município’’, afirmou o pecuarista Ademar Leme de Toledo. Ele explica que a falência da empresa poderia gerar muitas dificuldades para comercialização do gado local. ‘‘A paralisação do frigorífico na semana passada afetou o mercado e o preço da arroba caiu de R$ 41 para R$ 35, logo após o anúncio’’, disse.
Os pecuaristas apontam a queda do preço da arroba do gado na região, a insegurança em relação aos compradores de outros municípios e a demissão dos funcionários como as principais dificuldades que poderiam ser enfrentadas com o fechamento do frigorífico. O advogado da empresa, Celso Cardoso, disse que nos próximos dias o abate deve ser reiniciado. Ele disse que os proprietários não estavam dispostos a fechar a empresa. ‘‘Esta seria a última saída, o objetivo é renegociar a dívida e voltar a funcionar’’, disse.
A operação de negociação entre os pecuaristas e o frigorífico é realizada individualmente com os fazendeiros e prevê a ampliação do prazo para o pagamento e a cessão de animais para o levantamento de recursos e criação de um ‘‘caixa’’ para empresa. Segundo os pecuaristas, os bois serão cedidos provisoriamente. O pagamento deve ser realizado no prazo de 6 meses a um ano.
O frigorífico, de propriedade dos sócios José Henrique Vieira e João Roberto da Silva, emprega 150 funcionários e a principal empresa arrecadadora de ICMS do município.
No início do ano, a média de animais abatidos mensalmente era de 350. O prefeito do município, Flávio Mayorki, disse que a prefeitura não recebeu nenhum comunicado dos proprietários do frigoríficos sobre o fechamento da empresa. Ele lamentou, e disse que procurou os cartórios do município para verificar se havia algum protesto ou irregularidade, mas não identificou nenhum problema. Em caso de demissão ou falência o prefeito não descartou a intervenção municipal na empresa. ‘‘O local é da prefeitura e está cedido em regime de comodato, em caso de irregularidades temos que tomar providências’’, disse.

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